Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Chanceler alemão responsabiliza Polônia e Espanha pelo fracasso da CIG

Sábado, 13 de Dezembro de 2003 às 14:33, por: CdB

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, responsabilizou neste sábado, indiretamente a Polônia e Espanha pelo fracasso da Conferência Intergovernamental (CIG) que negocia a primeira Constituição européia.

- Houve especialmente dois países que não queriam movimentar-se, que não podiam. Um por tradição (em alusão à Espanha) e o outro por pontos de vista políticos internos - (em referência à Polônia), disse Schroeder em entrevista coletiva.

- Perguntei hoje ao primeiro-ministro polonês: estais em condições de movimentar-nos em outra direção? e me disse que não. Ficou muito claro -  ressaltou Schroeder.

O chefe do Governo alemão saiu em defesa do presidente francês, Jacques Chirac, ao que alguns responsabilizam também de não haver facilitado um acordo, afirmando que "manteve uma posição em defesa da integração européia".

Schroeder elogiou a posição de Chirac, que esteve disposto a "ceder no princípio histórico de manter o mesmo poder entre Alemanha e França a custa de um bom funcionamento da Europa".

O chanceler alemão lamentou que a reunião de hoje fracassasse porque "certos países se defenderam em seus interesses nacionais e os antepuseram aos interesses da integração européia".

- Somente se mudam de posição, podemos ter êxito - destacou Schroeder, que disse que em caso que se não alcance um acordo sobre a futura Constituição européia "em breve" Alemanha se prepara para lançar uma iniciativa com o Reino Unido e França para impulsionar uma Europa de duas velocidades.

- Não resta outro remédio - recalcou.

- Se não é possível em breve um acordo, a conseqüência é uma Europa de duas velocidades. Entra na lógica. Alemanha trabalhará para que isto não ocorra, mas ao mesmo tempo trabalharemos junto a França e Reino Unido sobre essa possibilidade - indicou.

- Tudo dependerá do que ocorra nos próximos meses-  ressaltou Schroeder, que assinalou que "ainda não existe uma iniciativa" sobre a mesa para uma Europa de duas velocidades, mas "não excluo uma iniciativa".

Schroeder defendeu "as cooperações reforçadas" e excluiu delas a "aqueles com os quais será mais difícil trabalhar".

Segundo o chefe do Executivo alemão, o resultado da Convenção "continua vigente" e é preciso seguir trabalhando sobre esta base porque é "uma conquista histórica".

Segundo sua opinião, é muito difícil fazer prognósticos sobre a possibilidade que a UE conte com uma Constituição antes das eleições européias de junho de 2004.

Schroeder recalcou que se continuará trabalhando com a presidência irlandesa da UE, que começará em janeiro de 2004, mas que só se deverá celebrar uma cúpula para buscar um acordo "quando se reúnam as condições para que haja êxito".

O chanceler alemão insistiu em que a culpa do fracasso deste sábado "não a tem a presidência, mas a oposição de outros países".

Schroeder assegurou que ninguém propôs oferecer à Alemanha mais votos dos que contemplados no Tratado de Nice e que se tivesse sido assim "o teriamos rejeitado, porque aqui se trata sobretudo da capacidade de funcionamento da Europa, da integração européia, e não de conseguir mais ou menos votos".

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