O chanceler russo Sergei Lavrov disse nesta sexta-feira que a Grã-Bretanha usa o assassinato do ex-espião Alexander Litvinenko para fazer uma campanha política contra a Rússia. Lavrov comentou que a atitude dos britânicos abala as relações diplomáticas entre os dois países.
"Tal efeito está sendo sentido, porque vemos tentativas do lado britânico de usar o caso criminal para construir algum tipo de campanha política", observou Lavrov.
"Somos contra isso. É assunto das agências de cumprimento da lei", completou.
A Grã-Bretanha negou a acusação russa, e garantiu que não tem intenção de abalar as relações diplomáticas, mas admitiu que o caso é um assunto criminal muito sério, que colocou sob risco centenas de cidadãos britânicos e visitantes.
Litvinenko, ex-agente do Serviço Federal de Segurança da Rússia que havia assumido a cidadania britânica, morreu no ano passado em um hospital de Londres, depois de ser envenenado com o isótopo radiativo polônio-210.
Promotores britânicos indicaram Andrei Lugovoy, contato empresarial de Litvinenko, como principal suspeito, pedindo formalmente à Rússia que o extradite. Moscou rejeitou, dizendo que não pode extraditar seus próprios cidadãos.
Litvinenko disse em uma carta escrita no leito de morte e posteriormente divulgada por amigos que supostamente o Kremlin estava por trás de sua morte. Lugovoy, que se diz inocente, afirmou na quinta-feira que o serviço britânico de inteligência está envolvido no homicídio.