Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Chaminé é instalada no alto da Capela Sistina para conclave

Sexta, 15 de Abril de 2005 às 12:22, por: CdB

Funcionários do Vaticano instalaram uma chaminé no telhado da Capela Sistina na sexta-feira, em meio aos preparativos para o conclave de cardeais que vai eleger o sucessor do papa João Paulo II.

A partir de segunda-feira, o primeiro dia do conclave, o cano cor de ferrugem colocado entre as telhas será a chaminé mais observada do mundo. É de lá que sairá a fumaça anunciando a eleição do novo pontífice.

Vinte e seis anos se passaram desde o último conclave, que elegeu João Paulo II, portanto os funcionários têm uma boa desculpa para terem demorado muito mais que o previsto para instalar a chaminé no telhado da capela renascentista.

Cinegrafistas e fotógrafos se amontoaram em volta do obelisco no meio da praça quando surgiram boatos de que o Vaticano faria um teste com fumaça.

- Ao contrário do que alguém disse, não haverá teste com fumaça esta tarde - disse o porta-voz oficial do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls.

Os cardeais realizarão duas sessões diárias de votação. Se a maioria de dois terços mais um não for atingida, as cédulas serão colocadas num forno e queimadas com um aditivo para produzir fumaça preta. Se o papa tiver sido eleito, elas são queimadas com uma substância que origina fumaça branca.

Num dos conclaves de 1978, a fumaça acabou saindo cinza, por isso este ano o Vaticano anunciou que os sinos da Basílica de São Pedro também badalarão para anunciar a eleição do papa.

Com a aproximação do início do primeiro conclave do século 21, a maioria dos cardeais de todo o mundo já havia chegado a Roma  - os 115 que votarão e outros que têm mais de 80 anos.

Padres e pessoas que trabalharão com os cardeais fariam um voto de silêncio nesta sexta-feira, prometendo não deixar transpirar nada do que aconteça no conclave. Quem desobedecer pode até ser excomungado.

Praticamente todos os eleitores foram indicados por João Paulo II, com a exceção de dois. O polonês Karol Wojtyla era considerado conservador em questões doutrinárias e teológicas.

Fontes da Igreja disseram esta semana que o cardeal conservador Joseph Ratzinger, que por 23 anos atua como guardião da doutrina católica, transformou-se num dos favoritos. Os moderados analisavam o nome do cardeal Carlo Maria Martini, ex-arcebispo de Milão, segundo as fontes.

Mas isso refletia apenas a posição para a primeira rodada de votações, que normalmente é apenas uma formalidade para medir as forças das várias correntes. Os conclaves podem durar muitos dias, e é comum seu resultado surpreender.

Muitos analistas especulam a possibilidade de um papa latino-americano ou africano, que chamaria a atenção do mundo para a pobreza do Hemisfério Sul, como João Paulo II chamou para a divisão da época da Guerra Fria.

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