Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

CGU nomeia equipe para auditar licitações e contratos no Ministério dos Transportes

O ministro chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, designou oito servidores da CGU para auditar as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias sobre irregularidades no âmbito do Ministério dos Transportes e órgãos vinculados.

Quinta, 07 de Julho de 2011 às 06:34, por: CdB
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O ministro chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, designou oito servidores da CGU para auditar as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias sobre irregularidades no âmbito do Ministério dos Transportes e órgãos vinculados. A portaria foi publicada na edição desta quinta-feira do Diário Oficial da União. O grupo tem até 31 de agosto para concluir o processo de auditoria nas licitações que já foram suspensas. Além disso, um servidor da CGU foi nomeado só para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos da comissão de sindicância, designada pelo ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Demissão O senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que renunciou ao cargo de ministro dos Transportes, na véspera, sob fogo cruzado de denúncias e esvaziamento por parte do Planalto, ainda deverá ser alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar, com a consequente perda de mandato. Nascimento é o segundo ministro do governo de Dilma Rousseff a perder o cargo devido às denúncias de improbidade administrativa, desde a saída de Antônio Palocci da Casa Civil. Por enquanto, só está definido que o substituto será indicado pelo Partido da República, cuja Presidência voltará para o senador Alfredo Nascimento. Pesa a favor do partido o fato de contar com seis senadores, inclusive o ex-ministro, e 40 deputados - todos fiéis ao governo. O requerimento para apurar as acusações contra Nascimento será apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) junto ao Conselho de Ética da Casa. Ele quer a apuração de suposta cobrança de propina na pasta, entre 4% a 5%, e de enriquecimento ilícito de seu filho, Gustavo Morais Pereira, de 27 anos. – Se ele não tem condições para continuar ministro de Estado, também pode ter ferido o decoro parlamentar exigido dos senadores da República e não pode continuar o mandato – afirmou Rodrigues. Na nota em que anunciou que entregou o cargo, Nascimento afirma que se coloca "à disposição de seus pares para participar ativa e pessoalmente de quaisquer procedimentos investigativos que venham a ser deflagrados naquela Casa (Senado) para elucidar os fatos em tela". A pasta dos Transportes será ocupada interinamente pelo secretário executivo da Pasta, Paulo Sérgio Passos. Ele dirigiu o ministério no ano passado, quando Nascimento se incompatibilizou para disputar o governo do Amazonas. Ao anunciar a renúncia do ministro, o líder do PR, senador Magno Malta (ES), elogiou a iniciativa da oposição de propor à Procuradoria Geral da República a abertura de procedimentos para investigar as acusações contra o senador. E de instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). – Os crimes devem ser apurados. E, se houver crimes, deve haver punição – sustentou Magna, um dos cinco senadores do partido convocados ontem à tarde, às pressas, ao Palácio do Planalto para receber o comunicado da saída de Nascimento e analisar o substituto. Eles se reuniram com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e com o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. – Cabe ao PR a indicação do novo ministro – afirmou a ministra, durante a reunião. O líder do PR na Câmara dos Deputados, Lincoln Portela (MG), disse que o senador Alfredo Nascimento será o interlocutor do governo para a escolha do novo ministro. Nascimento agora voltará ao Congresso para exercer o mandato de senador pelo Amazonas, para o qual foi eleito em outubro de 2006, atualmente ocupado pelo suplente João Pedro, do PT. Nas eleições passadas, perdeu a disputa a governador. Foi designado ministro pela primeira vez em 2003, no primeiro governo do ex-presidente Lula. A crise que detonou o ministro Alfredo Nascimento agravou-se, na véspera, depois de suspeitas de que o filho do ministro tenha enriquecido ilicitamente em razão do cargo do pai. No fim de semana, reportagem da revista semanal ultraconservadora Veja relatou que representantes do PR, partido ao qual pertence o ex-ministro e a maior parte da cúpula do ministério, funcionários da pasta e de órgãos vinculados teriam montado um esquema de superfaturamento e recebimento de propina por meio de empreiteiras. Quatro foram afastados pela presidente Dilma. A edição do diário conservador carioca O Globo, desta quarta-feira, denunciou o suposto enriquecimento ilícito de Gustavo Morais Pereira, arquiteto de 27 anos, filho do ex-ministro. Segundo o jornal, dois anos depois de ser criada, com um capital social de R$ 60 mil, a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo, amealhou um patrimônio de mais de R$ 50 milhões, um crescimento de 86.500%. O Ministério Público Federal do Amazonas investiga elo entre a empresa de Gustavo Morais Pereira e empresa que recebeu verba do ministério. Também a revista semanal Isto É divulgou um vídeo em sua página, na internet, em que o ex-ministro Alfredo Nascimento aparece negociando emendas parlamentares com o deputado Valdemar da Costa Neto, outro integrante do PR acusado de participar das irregularidades. Em nota oficial divulgada à tarde pelo ministério, Alfredo Nascimento diz que "decidiu deixar o governo" e que enviara "à presidenta Dilma Rousseff seu pedido de demissão em caráter irrevogável". Na segunda-feira, a presidenta afirmou, em comunicado, que tinha "confiança" no ministro.
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