A Controladoria Geral da União (CGU) não deve investigar as denúncias feitas pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, sobre o pagamento de R$ 30 mil por mês a deputados do PP e PL, para que projetos fosse aprovados. Esta informação foi dada nesta terça-feira pelo ministro-chefe Waldyr Pires, que é integrante do órgão. Para o ministro, o escândalo envolve partidos políticos, mas não o Estado. O pagamento da propina, ou o "mensalão", como é chamado, era feito pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
- A verdade é que, no que diz respeito à minha competência, não tenho como examinar as coisas do parlamento. Posso dizer que a investigação deve ir às últimas conseqüências, e é isso que o presidente quer. Essa é uma transição entre partidos políticos, não é dentro da estrutura do Estado - afirma o ministro.
Sobre a CPI dos Correios, Pires afirmou que já está investigando as denúncias "com rigor", e que terá uma resposta sobre as acusações em dois meses:
- Vamos examinar cerca de 600 contratos, atingir cerca de 400 programas licitatórios, de uma ordem de valores superior a R$ 2 bilhões. Creio que a CPI é um grande instrumento. No caso dos Correios, começamos um grande trabalho de auditoria especial, de modo que esperamos que dentro de 60 dias tenhamos todos os assuntos identificados para o opinião pública brasileira. O Congresso que faça dentro de suas atribuições o que ele tem que fazer.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), não confirmou a declaração do presidente do PTB sobre já ter avisado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o esquema, muito menos que ele tenha chorado ao receber a notícia.
Porém, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, disse que o presidente ouviu em uma reunião apenas um comentário e teria pedido uma apuração imediata. Mas fez questão de dizer três vezes que o governo nada tem a ver com a prática do mensalão.
- Não há nenhuma acusação que relacione o pagamento a parlamentares por parte do governo. A denúncia refere-se ao hipotético pagamento de um partido a parlamentares a outros partidos. O governo não sofreu qualquer tipo de acusação - afirmou.
Oposição descarta impeachment de Lula
Devido à estratégia do governo de descolar a imagem do presidente Lula das acusações sobre o suposto pagamento de mesada a parlamentares, e tentar enterrar a CPI, os oposicionistas usam um plano alternativo. O objetivo é passar a limpo se o presidente Lula e cinco ministros de Estado, após serem alertados da existência do "mensalão", apuraram a denúncia. Eles dizem que não cogitam o pedido de impeachment de Lula. Mas ameaçam denunciar os membros do governo por crime de reponsabilidade, caso não tenham ocorridos as investigações:
- Não é caso de impeachment e espero sinceramnete que não seja nunca. Está na hora de esclarecimentos e de atitudes firmes, e não de choradeira - disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara deve iniciar nesta terça a discussão sobre a constitucionalidade da CPI dos Correios, criada em 25 de maio. Na sessão, os deputados irão analisar o requerimento apresentado por João Leão (PL-BA). No documento, ele questiona a constitucionalidade da comissão, argumentando que não há um fato definido a ser investigado. O relator da matéria, deputado federal Inaldo Leitão (PL-PB), deverá apresentar o parecer.
Os aliados do governo estão trabalhando para abafar a criação da CPI já na CCJ. Já a oposição trabalha para convencer os deputados a rejeitarem o questionamento de João Leão. O líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), disse que a intenção da oposição era pedir vistas à matéria para impedir que ela seja votada antes da indicação e instalação da CPI. Já os aliados do governo se esforçavam para encerrar o assunto.