Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Cesare Battisti Vira Cala Boca da Liberação de Daniel Dantas

Sexta, 10 de Junho de 2011 às 12:35, por: CdB

Por Raymundo Araujo Filho 10/06/2011 às 18:11

Pessoalmente, eu seria a favor da troca clara entre a Libertação de Cesare Battisti pela anulação de processos contra 100 daniéis dantas. Um inocente preso não vale a condenação de 100 larápios, caso seja esta a questão.

Critiquei muito a condução do processo de mobilização e defesa política (este é o termo do qual não podemos fugir, por mais humanitária que a questão se coloque), a dizendo excessivamente palaciana, contemplando desde sempre a preservação de Lulla, Tarso Genro e muitos outros que jogaram para a platéia, o tempo todo, além de ter um contingente de defensores do governo Lulla.

Outra coisa eu poderia pensar se o representante do ministério da justiça, portanto sob a orientação do então ministro Tarso Genro, ter dado voto a favor para o remetimento do processo ao STF, talvez articulando um ?brilhareco? do então candidato a governador do RS, que aliás, no fim das contas, brilhou sem nada ter feito de realmente definitivo no processo. Assim como Lulla que se escondeu o tempo todo, deixando um abacaxi e mais tempo ainda na prisão, o Battisti, tendo, covardemente, cuidado burocraticamente, como último ato de seu governo, quando devia, para ao menos honrar a sua tão maculada biografia, ter usado de seu ?prestígio enorme?, para ter encurtado esta pantomima de Berlusconi e seus aliados fascistas no Brasil, muitos aboletados e dando ordens em seu governo, como Sarney, para ficar só nesse. Mas, preferiu a covardia moral e política, como sempre.

Assim, possibilitou aquilo que a direita (e com certeza muitos petistas de rabo preso) queria, que era um ?ponto de barganha?, para a extinção do processo contra o ex-?homem de ouro? do capital da Era FHC (agora substituído por Eike Batista) Daniel Dantas.

Mas, a condução que eu criticava como Palaciana, sem ações concretas que capilarizasse a luta e a denúncia das mentiras que se projetaram sobre a natureza dos acontecimentos políticos nos setores (ainda) vivos ou meio vivos da sociedade, encaminhava-se para este tipo de barganha, e com o beneplácito de alguns que conduziram este processo, caso contrário não teriam tentado, como tentaram, coibir ou combater ataques ao presidente Lulla, ao ministro Tarso Genro e até, pasmem, ao STF, ?pois isso os poderia ?sensibilizar?, os colocando com má vontade? (como se a luta política admitisse salamaleques obscuros).

Nossa tese, aliás também defendida pelo prof. Carlos Lungarzo (em memorável artigo n?A Folha de São Paulo) era a do envolvimento direto do presidente Lulla, no centro do processo, e eu ainda admitindo um constrangimento direto, por petição direta, por parte de alguns de seus próximos que se dizem humanistas e até de esquerda, quem sabe até apelando para a Misericórdia Divina, apelando para um Indulto Presidencial, possível naquela época.

Mas, quem se dizia porta voz do Comitê pró Cesare Battisti, já de braços dados com quem chamava de oportunistas políticos, preferiu nos chamar de ?divisionistas? tal e qual um burocrata soviético stalinista, regime que tanto diz combater ideologicamente.

E aí começaram os reveses. Falsas esperanças provenientes dos governistas, impuseram derrotas que postergaram e colocaram em risco a libertação de Cesare, finalmente conseguida estes dias. Culminando com o terrível e tardio comunicado de Cesare dizendo ?a minha derrota, será a derrota de Lulla?. Lulla já tinha eleito a sua candidata e se lixou para Cesare.

Mas, poucos notaram e muitos fingiram não notar, que um dia antes do julgamento de final de Cesare Battisti, o STJ decidiu pela anulação dos processos contra o banqueiro daniel Dantas, e extinção da operação Satiagraha, considerando que as provas obtidas pela ação de agentes da ABIN foram ilegais, pelo fato da agência não ter sido OFICIALMENTE envolvida nas investigações, mas sim de forma clandestina (os agentes da ABIN são especialistas em ações clandestinas, desde o tempo da ditadura militar...).

A coincidência, que não considero coincidência, é que não foi escrito NENHUM artigo, ou entrevista convocada por quem se dispusesse a criticar a liberação de daniel dantas, contrastando com o barulho feit. Se isso não é um acordo, ao menos tácito, certamente para não ?sensibilizar? negativamente o STF, podem me chamar de bicicleta.

De minha parte, como eu escrevi no início do artigo, eu seria favorável a este acordo de ?troca de processados?, mas caso ele fosse pública e previamente ventilado. Do jeito clandestino que foi, favoreceu a direita que continua criticando a libertação de Battisti, enquanto a dita esquerda, ainda não escreveu um só artigo, maldizendo ao menos, a facilitação das coisas para daniel dantas, em um misto de ?silêncio obsequioso? e....Rabo Preso.

Que Cesare Battisti agora Livre, faça as suas reflexões, viva a sua vida e escreva as suas memórias. E que não se sinta culpado por ter servido de escada para a liberação de um criminoso de colarinho branco, pois assim é a vida na política. Só acho que tudo poderia ser feito às claras, politizando a questão e valorizando mais ainda a sua pessoa, que não poderia mais ficar preso, custasse o que custasse. E que se escuse de salamaleques institucionais, pois por ali, quase te mandaram para a Itália de Berlusconi e daquele povo italiano, tão enriquecido, mas tão alienado quanto qualquer Povo do Terceiro Mundo.

*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e adepto do ditado popular: ?Toda vez que vires um jabuti em cima de uma árvore, com certeza alguém o colocou lá, pois jabutis não sobem em árvores?.

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