Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

César Maia quer fechar Abrigo para idosos e provoca reações

Sexta, 25 de Janeiro de 2008 às 08:28, por: CdB

Decreto do prefeito carioca César Maia que prevê o fechamento do Abrigo Cristo Redentor é criticado por voluntário da instituição. Famílias ganharão de R$ 550 a R$ 928 para abrigar idoso de abrigo que será fechado. Críticos do projeto questionam se os idosos poderão se adaptar a famílias desconhecidas.

Inaugurado em 1937, o Cristo Redentor, em Higienópolis, é o lar de cerca de 300 idosos, e está com os dias contados. A Secretaria Municipal de Assistência Social pretende fechar a instituição até junho de 2008 e encaminhar os idosos para as chamadas famílias acolhedoras, que receberão uma bolsa-auxílio mensal entre R$ 550 e R$ 928 por idoso, conforme a situação de cada um.

 

No lugar do abrigo, a prefeitura quer criar a Cidade da Assistência Social, um complexo de serviços voltados para a inclusão social, principalmente para crianças e adolescentes.

 

 Os planos da prefeitura deram início a uma campanha da paróquia Santa Bernardete, que divide muros com o abrigo, em defesa da casa de amparo aos idosos. Os missionários da paróquia criaram o Comitê da Fraternidade e Defesa da Vida e planejam uma marcha de protesto para o dia 17 de fevereiro. Funcionários do abrigo, que é do governo federal, mas é administrado pelo município do Rio, já realizaram protesto no dia 17 de janeiro.

 

Cristiane Cabral, missionária e voluntária no abrigo, explica que a preocupação é que as famílias acolhedoras não tenham condições de prestar um atendimento digno para o idoso.

 

– Mesmo com as dificuldades existentes no abrigo, lá contam com atendimento médico 24 horas por dia. Por mais bem intencionada que esteja a família, não poderá oferecer estrutura capaz de suprir as necessidades desses idosos, ainda mais por R$ 550. Há idosos que moram no abrigo há mais de 20 anos. Como pessoas de 80, 90 anos vão querer morar com uma família que nunca viram antes?, questiona Cristiane Cabral.

 

A diretora do abrigo, Marlise Ferreira, também assistente social, defende a reintegração dos idosos ao convívio de uma família. 

 

– Na Cidade da Assistência Social, teremos a Casa Passagem, para receber temporariamente idosos em situação de rua ou encaminhados pela Justiça. Depois de um tempo, são avaliadas e buscamos a reinserção dela, seja na família de origem, na sociedade com auxílio financeiro para o idoso ter sua independência ou em uma família acolhedora, no caso do idoso que precisa de cuidados. Esgotadas as alternativas de reintegração, o poder público avalia a necessidade de encaminhar esse idoso para uma Casa Lar, espaço que teremos também na Cidade com capacidade para 60 idosos, defende a diretora.

 

Marlise Ferreira criticou o movimento contra as novas medidas

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