O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, reproduziu, nesta quarta-feira, em seu blog informações sobre a atuação de máfias chinesas no Camelódromo, localizado na Rua Uruguaiana, no Centro do Rio. No último domingo um incêndio atingiu pelo menos 150 boxes. O prefeito atribui as informações a policiais que trabalham na área de Inteligência.
De acordo com o texto, existem no Camelódromo “duas fortes máfias chinesas, uma que atua na venda das mercadorias (abastecimento das barracas e dos camelôs de rua), na sua grande maioria ilegais, e outra que atua na venda de ‘proteção’ dos camelôs (tipo milícia), que cobra pedágio tanto dos camelôs, assim como dos fornecedores de mercadoria para os camelôs”.
O blog informa também “que o chefe da máfia chinesa, que vende proteção, é o chinês W. L. (nome completo no blog), de mais ou menos 38 anos, que morava na Ilha do Governador, mas atualmente mora no Leblon”.
A denúncia ainda afirma que “recentemente, antes do incêndio, W.L ameaçou alguns camelôs que estavam atrasados no pagamento do pedágio da proteção, tendo informado para alguns, que ele (W.L) poderia fazer ‘alguma coisa’ para mostrar a sua força. O incêndio pode ter sido para intimidar os camelôs. Os camelôs não denunciam as máfias chinesas com medo de morrerem”.
Ainda segundo o diário virtual do prefeito, “as mercadorias vendidas pelos camelôs vêm de depósitos clandestinos localizados no Mercado São Sebastião (na Penha, no subúrbio do Rio). Que o mercado São Sebastião é o depósito matriz da Máfia Chinesa” e acrescenta que “existe um grande navio, enferrujado, que no seu convés quase sempre nada aparece, de vez em quando, ficam de um a dois containeres vazios; que quase sempre é escoltado por dois barcos da guarda costeira da Marinha para simular que o navio está sendo apreendido. Provavelmente há cumplicidade deles”.
O texto cita que “nesse navio trabalham, dia e noite, umas duzentas costureiras que provavelmente devem ter sido recrutadas de Pequim, quase que em regime escravo, que fabricam os produtos piratas, como exemplo das fábricas Nike, Adidas, Mizuno, camisas, calças, bonés e outros”. E acrescenta que “as costureiras podem ter sido recrutadas em Pequim/China e que devem estar em situação irregular, relativas a falta de vistos brasileiros nos seus passaportes”.
Rota
O texto também informa a rota destes navios. “O navio varia suas rotas, atracando algumas vezes em Itaguaí, em Mangaratiba, numa ilha atrás de Itacuruçá, Angra, sendo que na Ilha do Bandolim (entrada para mar alto) foi visto várias vezes” e que “pagam propinas, nos pontos onde atracam, para as "autoridades" fingirem que não os estão vendo, entre 500 e 600 mil reais”.
A denúncia aponta “um chinês de mais ou menos 23 anos, é o chefe do navio. J.C. é irmão do chinês LAW KIM CHONG, considerado o maior contrabandista do Brasil e preso recentemente pela Polícia Federal” e que “o gerente no navio, de J. C., é um elemento de nome Humberto,moreno claro, cabelo liso, com uma ótima apresentação pessoal, que tem como característica uma tatuagem de São Jorge no peito.
Afirma ainda o texto: “que Humberto é amigo íntimo de oficial da Marinha. Vez por outra, Humberto se reúne com alguns membros da sua quadrilha no Pub Shenanigan’s, localizado na Praça General Osório, em Copacabana, onde é distribuído dinheiro para pagamentos das suas transações”.
E o texto reproduzido por Cesar Maia conclui: “que L..K..C também está comprando ouro, diamantes e outras pedras preciosas. Que os caminhões que usam, para transportar as mercadorias do Mercado São Sebastião para abastecer os camelôs, para dissimularem, são caminhões frigoríficos. E que L.K.C tem ramificações no México, Bolívia e Estados Unidos da América”.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública informou que as informações estão sendo analisadas.
Cesar Maia denuncia na internet ação de máfia chinesa em Camelódromo
Quarta, 21 de Novembro de 2007 às 13:27, por: CdB