Prefeito do Rio e um dos principais líderes nacionais do PFL, Cesar Maia criticou, nesta segunda-feira, a performance dos presidenciáveis no debate realizado na noite deste domingo pela TV Bandeirantes entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Lula e Alckmin fizeram um debate focado nos problemas do Estado de São Paulo e "se esqueceram do restante do país", disse Maia a jornalistas.
- Lula e Geraldo (Alckmin) pensam que Brasil é São Paulo. Debateram quase sempre em torno do que se fez e não se fez em São Paulo. E o resto do país? Entrou no debate residualmente - disse Maia.
Maia também criticou o despreparo do petista frente as câmeras:
- Tá vendo, Lula, o que dá se negar a dar coletivas e entrevistas para a TV durante estes quase 4 anos? Se tivesse feito, estaria muito mais treinado para falar na TV... Não consegue olhar para a câmera (nem na fala final), fala com expressão facial contraída, sobe o tom, pensa que está falando em comício, o riso falso mostrando nervosismo, insegurança... tudo errado.
Maia também não perdoou seu companheiro de coligação:
- Seu tom (o de Alckmin) ficou um pouco acima do recomendado na TV, o que em seu caso ficou na fronteira da arrogância. Ou denotando um pouquinho de tensão. E o Brasil é muito grande, e não apenas São Paulo. Minas Gerais, Estado eleitoralmente fundamental, não foi citado uma vez, nem seu governador campeão de votos. Jarbas Vasconcelos poderia ter sido citado.
Segundo Maia, Alckmin criou uma novidade no debate ao usar a réplica para fazer uma nova pergunta.
- Lula caiu na armadilha duas vezes - disse.
Na avaliação do prefeito do Rio, no entanto, "Lula passou mais emoção e teve como ponto alto a resposta sobre política externa".
- Geraldo fez o que deveria ter feito desde o início dos programas de TV. Tomou a iniciativa ao tratar de corrupção. Mas faltou usar imagens na fala, com narrativas sobre petequeiro, Waldomiro... - acrescentou.
Segundo o prefeito, ambos cometeram erros no debate, como a falta de controle de tempo das respostas.
- Como é possível dois políticos seniors não conseguirem controlar o tempo de fala? Geraldo ultrapassou quase todos e ficou com microfone mudo, o que dá uma impressão, a quem vê, de que levou um carão. Faltaram as promessas ou compromissos concretos: vou fazer isso, vou fazer aquilo - concluiu.