Cerca de 200 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltaram a ocupar a Fazenda da Palma no município de Pedro Osório (RS).
É a segunda vez neste ano que as famílias ocupam o local, já vistoriado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas ainda sem resposta quanto à possibilidade de desapropriação.
Luciana Poncio, coordenadora estadual do MST explicou que a proximidade do fim inverno exige que a terra seja cultivada para o plantio.
- Como está terminando o inverno e começa a chegar o período do plantio, nós retomamos o preparo do solo para o cultivo de milho e legumes para o auto sustento das famílias do acampamento e também por a terra se encontrar totalmente abandonada, então iremos aproveitá-la.
As famílias se encontram no município desde janeiro ocupando uma pequena área cedida pelo assentamento Novo Pedro Osório.
Luciana Poncio afirmou que não é justo que 200 famílias passem dificuldades devido o rigoroso inverno em um pedaço de terra, enquanto apenas dispões de nove mil hectares de terra.
- E essa família nem depende dessa terra, enquanto nossas 200 famílias continuem embaixo de lonas enfrentando um inverno tão rigoroso em um pedaço de terra cedido por uma família de assentados que também tem que plantar nesse local - disse a coordenadora.
Ela contou que acredita que a ocupação acelere o processo de desapropriação da fazenda, pois segundo ela, somente a luta e a pressão popular farão com que autoridades e governantes façam algo para resolver a questão.
Ela disse que na primeira tentativa de plantio em abril a polícia militar cercou o acampamento e desfez os canteiros, mas acredita que agora a situação pode ser diferente.
- Esperamos que nossa retomada não seja vista como caso de polícia e seja resolvida mediante a desapropriação da fazenda Palma, pois afinal de contas, apenas queremos plantar alimentos para nossas famílias.