Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2026

Centro-direita perde espaço na corrida ao Eliseu

Quinta, 22 de Março de 2007 às 09:42, por: CdB

O candidato centrista François Bayrou sofreu uma forte queda no seu índice de intenção de voto, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira, e fica assim mais distante de disputar o segundo turno da eleição presidencial francesa, em maio.

Pesquisa do instituto BVA para jornais regionais mostrou Bayrou em terceiro lugar, com 17%, queda de quatro pontos em uma semana, possivelmente reflexo dos ataques que ele vêm sofrendo à direita e à esquerda.

Adversários dizem que uma vitória de Bayrou provocaria instabilidade política, já que seu partido, o centrista UDF, não tem chance de fazer a maioria nas eleições parlamentares de junho. Atualmente, a UDF e seus aliados ocupam cerca de 30 das 577 cadeiras do Parlamento.

Mas Bayrou diz que, se eleito presidente, criaria um novo partido, com uma base mais ampla, voltado para eleitores insatisfeitos com os socialistas e conservadores que se revezam no poder há mais de um quarto de século.

Na pesquisa BVA, o conservador Nicolas Sarkozy mantém a liderança, com 31%, seguido pela socialista Ségolène Royal, com 24%.

Em nota, Jérôme Sainte-Marie, diretor do BVA Opinion, analisou que Sarkozy e Royal conseguiram intensificar a divisão entre esquerda e direita, o que "produziu uma polarização do debate à custa do candidato centrista".

- Esse esforço conjunto de devolver a política ao normal por enquanto afastou o espectro da eliminação da candidata socialista no primeiro turno, ao mesmo tempo em que reforça as chances de Nicolas Sarkozy verem as portas do Eliseu (sede do governo) se abrirem a ele - acrescentou Sainte-Marie.

O segundo turno será disputado em 6 de maio caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta em 22 de abril. Para o segundo turno, a pesquisa BVA aponta vitória de Sarkozy contra Royal, por 54-46%.

Em uma pesquisa anterior neste mês, Bayrou havia conseguido aumentar sua intenção de voto em 24%, tirando eleitores de Sarkozy e Royal. O resultado provocou grande preocupação entre os socialistas, que temiam ficar novamente de fora do segundo turno, como ocorreu na eleição presidencial anterior, em 2002.

Royal, cujas gafes e erros de campanha resultaram em alguns votos para Bayrou, previu que o centrista perderia espaço quando suas propostas ficassem mais conhecidas.

O BVA disse que a erosão nos votos de Bayrou ocorreu principalmente junto a trabalhadores assalariados, e que o candidato não conseguiu se afirmar como mais confiável que seus adversários em 12 tópicos apresentados aos eleitores.

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