Um vulcão entrou em erupção no domingo nas Ilhas Comores, no Oceano Índico, forçando centenas de moradores a fugir por medo de gases tóxicos após a cratera expelir cinzas e lançar rochas sobre lava incandescente, segundo testemunhas.
A escuridão tomou as casas perto da cúpula do Monte Karthala enquanto uma chuva negra tomava o entorno da montanha, espalhando o pânico entre os moradores, temerosos por causa da fumaça tóxica que saiu do vulcão há um século, matando 17 pessoas.
"Os aldeões estão em uma escuridão total, uma chuva arenosa está caindo e a visibilidade é zero", disse à Reuters por telefone um morador da vila de Idjinkoundzi, no lado ocidental do Monte Karthala, que se identificou como Charif.
O Monte Karthala, de 2.361 metros de altura, e suas ladeiras cobertas de vegetação formam a maior parte do território de Grande Comore, a principal ilha no arquipélago de Comores, que fica a 300 km da costa leste da África.
Jean Marc, um piloto de aviões comorense que sobrevoou a cúpula, disse: "Eu vi o início da corrente de lava, mas no momento ela está confinada dentro do vulcão."
Famílias das vilas de Trelezini e Tsorale se amontoavam em táxis e ônibus para chegar à capital, Moroni, que fica na costa oeste de Grande Comore, a cerca de 15 km da cratera do Karthala, que se eleva sobre o Oceano Índico.
"A poeira ainda está caindo, com chuvas torrenciais e ventos fortes varrendo a região", disse Ibrahim Youssouf, um morador da cidade de Fomboni, na costa sudeste de Grande Comore que visitou o local.
O ministro da Defesa, Houmed Msaidie, alertou os moradores para evitar a área pelo risco de exposição a gases perigosos.
"O vulcão entrou em erupção e duas regiões estão expostas no momento, Dimani e Badjini", disse Msaidie. "Não podemos descartar o risco de que gases possam escapar e seria prudente não se aproximar das zonas de risco."
Leitos secos de rios se transformaram em fortes correntes, conforme a água da chuva baixava das ladeiras do vulcão, segundo os moradores.
"O chão tremeu e vimos fendas aparecendo", disse um funcionário do governo perto de um dos flancos do vulcão, que está frequentemente envolvido em nuvens brancas.
Moradores que fizeram a caminhada de duas horas até a cúpula a partir de Idjinkoundzi disseram ter visto partes das laterais da cratera, de 3 km de diâmetro, desmoronar e enormes pedaços de rocha rolarem por vários quilômetros.
O governo de Comores pediu aos moradores para deixarem as casas mais próximas do pico no entorno da montanha. Msaidie disse que as autoridades estavam verificando uma possível contaminação após pessoas do local terem relatado uma coloração cinza na água.
"Medidas foram colocadas em vigor para analisar a água... e dizer à população sobre qualquer risco assim que possível", disse ele à Reuters.
Estudiosos de vulcões no Centro de Documentação e Pesquisa Científica do arquipélago disseram que estavam monitorando a situação.
"Na última semana o Karthala mostrou sinais de agitação, mas nas últimas 24 horas essa agitação se tornou generalizada e a cratera principal está em erupção", disse o pesquisador Hamidou Soule à Reuters. "Até o momento, a erupção está confinada ao interior da cratera, que está expelindo cinzas e blocos de rochas."
O Karthala havia entrado em erupção pela última vez em 11 de julho de 1991, quando uma explosão na cúpula lançou pedras por vários quilômetros, sem causar danos.
Uma corrente de rocha ardente saiu de uma fissura em um lado do Karthala durante uma erupção anterior em abril de 1977, destruindo 300 casas na vila de Singani, mas os moradores locais conseguiram fugir.
Gases nocivos expelidos por fissuras sufocaram 17 pessoas em 1903. Um ano depois, uma pessoa morreu em uma corrente de lava. Em meados do século 19, uma corrente de lava passou próximo à capital.