Rio de Janeiro, 31 de Março de 2026

Centenas de palestinos fazem protesto violento contra desemprego

Terça, 29 de Agosto de 2006 às 08:02, por: CdB

Centenas de palestinos que protestavam contra o desemprego entraram em conflito com a polícia do lado de fora do Parlamento, nesta terça-feira, realizando uma das manifestações mais violentas ocorridas na Faixa de Gaza desde que o Hamas assumiu o controle sobre o governo, meses atrás.

A polícia disparou tiros de advertência para o alto a fim de dispersar os manifestantes, que derrubaram um portão do Parlamento e atiraram pedras contra os legisladores reunidos dentro dele. Não há informações sobre feridos.

- Quero uma vida digna. Preciso ser capaz de alimentar minha família. O ano escolar está prestes a começar e meus filhos não têm uniforme - afirmou um palestino, que segurava um prato vazio e uma colher.

Muitos dos manifestantes não trabalham há anos porque, após o começo do levante palestino, em 2000, foram impedidos de entrar em Israel, onde tinham emprego. O fechamento da fronteira aumentou a pobreza na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Palestinos, controlada pelo movimento Fatah. A Fatah perdeu as eleições de janeiro para o Hamas.

Mushir al-Masri, um importante membro do grupo militante, afirmou que o governo, que enfrenta sanções internacionais devido à recusa do Hamas em reconhecer Israel e em renunciar à violência, decidiu distribuir, nos próximos dias, uma ajuda financeira aos trabalhadores.

Em uma referência clara à Fatah, Masri disse que "um certo partido político" estava por trás do protesto e dos esforços para manchar a imagem do atual governo.

Crítica

Em um artigo publicado no domingo e no qual fez comentários sobre o clima caótico que reina na Faixa de Gaza, Ghazi Hamad, porta-voz do gabinete liderado pelo Hamas, fez críticas raramente vistas a respeito dos grupos armados responsáveis pelo que chamou de a resistência contra a ocupação israelense.

- Ficamos surpresos com o fato de que, quando se faz um grande esforço para abrir a fronteira (com o Egito) em Rafah a fim de diminuir o sofrimento da população, alguém dispara um foguete contra a área. Ou, quando alguns falam sobre a necessidade de haver calma, alguém dispara outro foguete - escreveu, no jornal palestino al-Ayyam.

Israel fechou a passagem de Rafah depois de militantes do Hamas e de dois outros grupos terem, no dia 25 de junho, capturado um soldado israelense.

As forças do Estado judaico, que saíram da Faixa de Gaza um ano atrás, reingressaram no território depois do sequestro e em meio ao disparo de foguetes contra o sul de Israel.

- Fico imaginando qual o impacto da resistência quando o país está, desde seu interior, cheio de caos, corrupção e assassinatos inúteis - escreveu Hamad.

- A construção do país não é parte da resistência? A ordem e o respeito à lei não são parte da resistência? - perguntou.

Em declarações nesta terça-feira, Hamas disse ter escrito o artigo para fazer as "pessoas compreenderem que o que está acontecendo é um tipo de desastre e de catástrofe".

Ele pediu aos palestinos que "acordem e que pensem mais uma vez sobre a situação econômica miserável da Faixa de Gaza" e que "se concentrem nos erros e no mau comportamento de algumas pessoas e de alguns grupos."

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