Começa na próxima semana o censo domiciliar e empresarial nas comunidades da Rocinha, Manguinhos e Alemão. O Comitê de Coordenação do Trabalho Social, que reúne as secretarias da Casa Civil, Obras, Assistência Social e Direitos Humanos e Governo, entregou às empresas encarregadas do censo e da execução do trabalho social, Listen e Agência 21, respectivamente, o cadastro dos moradores das três favelas inscritos para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O coordenador do Escritório de Projetos do Governo, José Muricy, e o subsecretário de Obras, Hudson Braga, estão animados com a definição do ritmo do censo, que deve durar quatro meses e, pela primeira vez, fazer uma verdadeira radiografia das três comunidades. A proposta é de que o censo mapeie todas as casas e estabelecimentos comerciais na região, mesmo os informais, a fim de permitir a criação de programas que possam focalizar o desenvolvimento sustentável das três favelas.
- A proposta é ter uma radiografia de todas as comunidades, para que o poder público possa direcionar ações que permitam o desenvolvimento dos bairros e o reordenamento comercial das regiões. No Alemão, por exemplo, temos uma série de galpões de empresas que abandonaram o local por uma série de motivos. Nossa proposta é trazer de volta essas empresas e estimular para que outras surjam na comunidade – afirmou Hudson Braga.
Alexandre Paulinelli, diretor da empresa Listen, acredita que o projeto será de grande utilidade, inclusive, para as próprias comunidades, já que terão uma visão real de suas potencialidades. O documento final, além de nortear ações governamentais, vai poder ajudar o trabalho social na busca de cursos e ações que venham a fortalecer o comércio nas comunidades e nos bairros próximos.
- A partir da próxima semana estaremos treinando cerca de mil moradores das três comunidades, para que participem dessa grande radiografia que pretendemos fazer na região. Estaremos dando prioridade a pessoas que tenham Ensino Médio, boa dicção, boa caligrafia e disponibilidade, além de reservarmos 20% das vagas para mulheres – disse Paulinelli.
Os contratos serão para entrevistadores, supervisor de campo, fiscal de campo, auxiliares, apoio e auxiliar de gerente de campo. Os salários variam de R$ 550 a R$ 1.500 e a expectativa é de que todo o trabalho de recenseamento dure cerca de quatro meses.
Segundo o presidente da Agência 21, Márcio Calvão, a proposta do governo do Estado extrapola o simples mapeamento das necessidades e a capacitação dos profissionais. A idéia, garantiu Calvão, é incentivar o empreendedorismo nas comunidades, estimulando os moradores a desenvolver projetos que possam contribuir para a melhoria da região. Não se trata, reiterou, de pensar na revitalização do local apenas a curto prazo, mas na construção de uma estrutura sólida que possa florescer cada vez mais, permitindo a sustentabilidade das ações.
O vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, vem discutindo com o secretário de Fazenda, Joaquim Levy, a possibilidade de dar incentivos fiscais para a instalação de novas empresas nas comunidades da Rocinha, Alemão e Manguinhos. Com o perfil econômico dos moradores o Estado pretende buscar taxas diferenciadas para a legalização de empresas e estimular o desenvolvimento de pequenas e médias empresas. Pezão acredita que o sucesso do projeto 22@Barcelona, que transformou uma área degradada em um grande pólo de inovação na cidade espanhola, capital da Catalunha, pode se repetir nessas três regiões.
Censo fará radiografia em comunidades carentes
Quarta, 16 de Abril de 2008 às 10:32, por: CdB