Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Cenário externo distoa do panorama econômico brasileiro

Sexta, 18 de Abril de 2008 às 07:03, por: CdB

Maior banco dos EUA, o Citigroup divulgou o seu segundo prejuízo trimestral consecutivo, afetado por baixas contábeis e crescentes perdas com crédito, nesta sexta-feira, no total de US$ 5,11 bilhões, ou US$ 1,02 por ação, ante lucro um ano anterior de US$ 5,01 bilhões, ou US$ 1,01 por ação. Foi o segundo trimestre consecutivo de perdas – em janeiro, o grupo havia anunciado que seu resultado líquido no último trimestre de 2007 ficou US$ 9,8 bilhões no vermelho. Os resultados incluem a contabilização de um prejuízo de US$ 6 bilhões em ativos ligados aos empréstimos do tipo subprime, origem da atual turbulência nos mercados.

A atual crise do crédito já levou bancos ao redor do planeta a dar baixa em mais de US$ 200 bilhões em ativos de risco. O temor é que a crise se alastre para outros setores da economia, como de propriedades comerciais, crédito ao consumidor e dívidas de empresas. Esta possibilidade foi levantada por um relatório-alerta do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado há dez dias.

Bovespa

A situação, no Brasil, no entanto, é bem diferente. O avanço das ações de bancos, um dia depois da alta acima das expectativas do juro básico brasileiro, fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechar com valorização nesta quinta-feira.

O Ibovespa teve alta de 0,62%, aos 64.552 pontos, no maior patamar desde 28 de fevereiro. O giro financeiro na bolsa foi de R$ 5,95 bilhões. O movimento foi conduzido pelos três maiores bancos do país, cujas ações tiveram as maiores altas do índice. Os papéis ordinários do Banco do Brasil subiram 4,1%, a R$ 25,35; seguidos pelos preferenciais do Itaú, que avançaram 3,6%, a R$ 43,50; e os preferenciais do Bradesco, com ganho de 3,5%, a R$ 35,75.

Para Luiz Gustavo Medina, sócio da M2 Investimentos, o mercado estava apreensivo com a ação que seria tomada pelo Banco Central para fazer frente às pressões inflacionárias. Nesse sentido, embora o aumento da taxa anunciado na quarta-feira, de 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano, tenha vindo maior do que as projeções da maioria dos analistas, o comunicado que acompanhou o anúncio acalmou os investidores.

- O discurso foi mais importante do que a ação", disse ele, referindo-se à sinalização do Comitê de Política Monetária de que o ciclo de aperto monetário deve ser breve - disse o economista à agência inglesa de notícias Reuters.

No caso dos bancos, considerou Medina, o aperto monetário permite algum ganho extra com títulos do governo atrelados à Selic, mas não é suficiente para conter o ritmo de expansão das operações de crédito.

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