Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2026

Cenário externo ajuda a acalmar o dólar, apesar da crise interna

Sexta, 24 de Março de 2006 às 16:38, por: CdB

A cotação do dólar encerrou a semana em baixa nesta sexta-feira, a R$ 2,154, acompanhando o cenário externo favorável. O discurso do ministro da Fazenda, Antonio Palocci também ajudou a amenizar as pressões sobre o câmbio. A divisa norte-americana terminou o dia com queda de 0,37%. Na semana, porém, o dólar acumulou avanço de 1,32%.

- Acho que hoje o cenário externo ajudou bem essa calmaria, a diminuição da alta do dólar - resumiu Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez.

No campo externo, o rendimento pago pelos Treasuries de 10 anos recuava para cerca de 4,67% nesta tarde, enquanto o euro ganhava terreno em relação ao dólar. Os dados fracos de vendas de moradia nos Estados Unidos amenizaram recentes expectativas sobre mais elevações na taxa de juro do país. O gerente de câmbio de um banco estrangeiro destacou, porém, que a reunião do Federal Reserve no início da próxima semana poderá trazer mais cautela para o mercado na segunda-feira.

- O mercado está ao sabor de lá de fora, que está dando o tom mais forte. Mas claro que a questão política também não deixa de ser centro de atenção - disse o gerente.

Os mercados acompanharam no início da tarde o discurso do Palocci em evento na Câmara Americana de Comércio de São Paulo. O ministro criticou o clima político de conflito e ressaltou que a economia brasileira está pronta para enfrentar turbulências. Analistas consideraram que o discurso foi tranquilo, sem muitas novidades e não trouxe pressões para o mercado. Mas as expectativas sobre se Palocci deixará ou não o cargo continuam.

- (O discurso foi) bom, ele é bem articulado. Mas mostra que está sentindo os constantes ataques. Acho que semana que vem vai ser decisiva nessa dúvida do mercado (se ele sai ou não) - disse Alexandre Vasarhelyi, responsável por câmbio do banco ING.

Na próxima sexta-feira, vence o prazo para os ministros que desejam disputar as eleições de outubro deixarem os cargos. Para o gerente de câmbio do banco Prosper, Jorge Knauer, o mercado está "menos preocupado em quem vai ser (ministro), mas em manter a política".

- Talvez tenha trazido um pouco mais de tranquilidade por reafirmar a situação de não querer trazer nenhum tipo de problema para o Lula e para o ministério - completou Knauer.

O gerente de câmbio do banco estrangeiro não descarta, no entanto, um certo nervosismo do mercado caso Palocci venha a deixar o cargo.

- Esse imbróglio político deve dar um estresse no primeiro momento. A reação dos investidores é que vai determinar o fluxo de recursos para o país (se irá ou não diminuir) - afirmou.

O Banco Central voltou a comprar dólares no mercado nesta sexta-feira, e aceitou três propostas, com taxa de corte a R$ 2,158.

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