Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Cenário ainda é de guerra em cidades da região serrana, relata chefe do Estado Maior

Terça, 18 de Janeiro de 2011 às 10:05, por: CdB

Rio de Janeiro - Uma semana depois da catástrofe que atingiu municípios da região serrana do Rio de Janeiro, o cenário ainda é de guerra em boa parte das áreas afetadas. As cidades, porém, vão se organizando diante da nova realidade. A avaliação é do chefe do Estado Maior e subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel José Paulo Miranda, que acompanha os trabalhos de buscas, resgate e salvamento das vítimas dos deslizamentos.

Em entrevista à Agência Brasil, ele afirmou que quando as primeiras equipes iniciaram o socorro, não se tinha a dimensão exata dos estragos. Ele acredita que as horas iniciais dos resgates, quando ainda se tem esperança de encontrar vítimas com vida, foram as mais difíceis.

“O primeiro momento sempre é mais difícil porque não tínhamos ideia do que realmente tinha acontecido. O acesso aos locais de deslizamento era muito difícil, o tempo, ainda chuvoso, também complicou. Mas estamos avançando e diante da dimensão do desastre, a resposta tem sido extremamente positiva”, avaliou.

O subcomandante do Corpo de Bombeiros também destacou a integração entre os organismos estaduais, municipais e federais e as Forças Armadas como fundamental para o trabalho. Segundo o coronel, as equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil devem permanecer na região por tempo indeterminado.

O secretário de Comunicação do município, David Massena, destacou que, mesmo depois de uma semana, os resgates continuam sendo o principal foco de atuação. “Não podemos mudar o foco enquanto ainda tiver gente a ser resgatada. Num segundo momento, vamos avaliar os prejuízos econômicos à indústria, ao comércio e ao turismo. Mas por enquanto os esforços estão todos voltados principalmente às buscas, às ações que garantam a dignidade da população”, ressaltou.

De acordo com a prefeitura de Nova Friburgo, há 318 mortos na cidade e cerca de 5,2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. Aproximadamente 30 abrigos recebem a população que perdeu suas casas ou que não podem retornar para os imóveis. Com a liberação do tráfego pela RJ-130, que liga Nova Friburgo ao município de Teresópolis, foi possível o acesso a todas as comunidades. Algumas, no entanto, permanecem sem energia elétrica e água. Pelas ruas, os trabalhos de limpeza também são intensos, com o uso de retroescavadeiras. Ainda assim, há lama, muita terra e entulho acumulados.

Edição: Talita Cavalcante

Leia também:

Governo antecipa pagamento do Bolsa Família a beneficiários de municípios afetados pelas chuvas Abastecimento de água em Nova Friburgo já foi retomado em 65% Mais de 100 mil pessoas vivem em moradias de altíssimo risco em SP, indica estudo Moradores de Teresópolis são vacinados contra tétano Teresópolis registra 151 pessoas desaparecidas depois das chuvas
Tags:
Edições digital e impressa