Rio de Janeiro, 13 de Janeiro de 2026

Cena política instável com dúvidas sobre reforma da Previdência eleva preço do dólar

O Palácio do Planalto reconheceu a dificuldade em aprovar a reforma na Câmara e, por isso, decidiu estender o prazo de negociação do relatório na comissão, o que elevou o preço do dólar

Quinta, 06 de Abril de 2017 às 13:46, por: CdB

O Palácio do Planalto reconheceu a dificuldade em aprovar a reforma na Câmara e, por isso, decidiu estender o prazo de negociação do relatório na comissão, o que elevou o preço do dólar

 

Por Redação, com Reuters - de São Paulo

 

O dólar subia ante o real nesta quinta-feira, com investidores adotando cautela diante dos sinais de que o governo está com dificuldade para aprovar a reforma da Previdência e do cenário externo.

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Com a reforma da Previdência de Temer, cria-se o benefício impossível

Às 10:22, o dólar avançava 0,34%, a R$ 3,1254 na venda, depois de subir 0,55%, na véspera. O dólar futuro tinha leve alta de 0,03%.

— Dada a trajetória que a reforma ainda tem para cursar no Congresso, não significa a inviabilidade de ser aprovada. Neste momento, a pesquisa evidência que o governo ainda tem muito trabalho — afirmou a corretora CM em relatório a clientes.

O comentário referia-se à pesquisa feita por um dos diários conservadores de São Paulo, com deputados e que revelou que a proposta do governo sobre a reforma da Previdência seria rejeitada por 242 parlamentares, mesmo com a opção de suavizar o texto. Para aprovar a reforma, Temer precisa de 308 votos favoráveis, de um total de 513 deputados.

O Palácio do Planalto reconheceu a dificuldade em aprovar a reforma na Câmara e, por isso, decidiu estender o prazo de negociação do relatório na comissão especial que trata do tema, disseram fontes palacianas à agência inglesa de notícias Reuters, na véspera.

— Houve um susto quando o mercado viu o placar, mas é muito cedo ainda, o governo tem muita política para fazer e não significa que a reforma não vai sair — afirmou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Juros nos EUA

O cenário externo também estava no radar do mercado nesta sessão, sobretudo como a política monetária dos Estados Unidos será conduzida. Na véspera, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, indicou que pode adotar medidas para começar a reduzir seu portfólio de US$ 4,5 trilhões ainda este ano desde que a economia tenha o desempenho esperado.

— Ao reduzir esse estoque de títulos, o Fed enxuga a liquidez do sistema, o que tem efeito de alta de juros — explicou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Por isso, a divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano no dia seguinte ganhou ainda mais importância porque pode reforçar a percepção de que o Fed pode precisar de mais altas de juros além das duas ainda precificadas para o restante do ano.

Mais juros na maior economia do mundo pode atrair recursos até então aplicados em outras praças, como a brasileira. O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção no mercado de câmbio, por enquanto, para esta sessão. Em maio, vencem US$ 6,389 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.

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