Nos dias 29 e 30, a CEG fará inspeção nos 182 apartamentos do Barra Beach. A companhia poderá lacrar aparelhos ou interromper o fornecimento de gás, caso constate descumprimento das normas de segurança.
Apesar de a CEG afirmar que em fevereiro trocou as válvulas medidoras de todos os apartamentos do edifício, nesta quinta, durante depoimento, a síndica Sônia Malaquias apresentou documentos comprovando que o serviço ficou inacabado. De acordo com a empresa, a troca não tem relação com o acidente que matou as irmãs.
Nesta sexta-feira, prestam depoimento na 16ª DP (Barra) o dono do imóvel, Ronald Vicenti, e o sócio da imobiliária Sol da Barra, José Augusto. Segundo o delegado Carlos Augusto Nogueira, eles podem ser indiciados por homicídio se ficar comprovado que sabiam de problemas no aquecedor e não comunicaram ao inquilino ou à CEG
Irmã caçula não resiste ao gás e morre na UTI
Cinco dias após a morte de Kawai Ferreira Baisotti, 12 anos, sua irmã, Keilua, também não resistiu à intoxicação por gás. A menina de 6 anos morreu no início da tarde de ontem, no Hospital da Lagoa, onde desde sábado estava internada. As irmãs, que moravam na Itália e passavam férias no Brasil, foram encontradas desacordadas no banheiro do apartamento 1002, no Barra Beach Hotel Residência, sábado.
Keilua será enterrada nesta sexta ao lado da irmã, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência. Após o sepultamento, marcado para as 15h, a mãe das meninas, a tradutora Conceição Gonçalves Ferreira, 33 anos, tem outra dolorosa tarefa: a missa de 7º dia de Kawai, às 19h, na Igreja São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca.
Desde que chegou ao Brasil, no domingo, Conceição vive um pesadelo. Depois de enterrar a filha mais velha e velar a cabeceira do leito de sua caçula, nesta quinta pela primeira vez, afastou-se do hospital. Pouco antes da morte de Keilua, foi com o namorado, Antônio José Corrêa, ao apartamento onde elas passaram as últimas horas de vida. “É doloroso demais voltar aqui”, desabafou ele.
O corpo de Keilua foi levado ao IML para exames que definirão a causa da morte. Segundo a médica Maria Cristina Duarte, chefe da UTI Pediátrica, ela chegou ao Hospital da Lagoa em coma profundo e com falta de oxigênio, decorrentes de intoxicação por monóxido de carbono, que provocou edema e lesões cerebrais.