A Cooperativa Central dos Produtores de Leite (CCPL), paralisada há trê anos, pode ser reativada. Segundo afirmou, nesta quarta-feira, o secretário de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desencolvimento do Interior, Christiano Áureo, a produção da CCPL dela pode gerar riqueza e empregos no estado. Uma das soluções para a reativação seria a venda de parte do patrimônio da cooperativa que não seja ligada diretamente à produção.
- Esta hipótese depende do levantamento que o Comitê de Administração Judicial vai realizar sobre o patrimônio da CCPL. O importante é que as fontes de novos recursos não sejam, de preferência, onerados por encargos altos - advertiu o secretário.
Dentro de 60 dias, os integrantes do Comitê de Administração Judicial deverão entregar o diagnóstico e o plano de gestão à Justiça que irá analisar as propostas para a reativação da CCPL e determinar ou não o início da intervenção na cooperativa. O comitê foi indicado pela juíza Isabela Pessanha Chagas, da 4ª Vara Cível de São Gonçalo.
O comitê terá como missão principal estavelecer as fontes de recursos para a CCPL retomar as atividades. A cooperativa tem dívidas que remontam a cerca de R$ 120 milhões, incluindo ainda pendências com fornecedores e encargos trabalhistas e fiscais. Por essa razão, estão descartados empréstimos bancários, por conta dos débitos existentes com agentes financeiros.
Além da venda de parte do patrimônio, Christino Áureo, que indicou dois dos três nomes do comitê, disse ainda que também está sendo discutida a antecipação de recebíveis de grandes redes de varejo e ainda a possibilidade de empresas do ramo de laticínios contratarem a CCPL para fabricar parte de seus produtos.
- Sem geração de fluxo de caixa, a empresa não conseguirá equacionar os passivos. O patrimônio não será suficiente para saldar as dívidas, de acordo com as estimativas feitas até aqui - revelou o secretário.
Em plena atividade, a CCPL tem capacidade de processar 500 mil leites por dia, o que representa 33% da produção de 1,5 milhão de litros diários do Estado do Rio de Janeiro. Criada em 1946, ela foi pioneira no país na fábrica de leite longa vida e iogurte.
- Se tudo ocorrer bem e for possível equacionar as dívidas, existe condição de retomar gradualmente a operação da empresa ainda este ano. Ninguém imagina que uma planta dessas, parada há três anos, vá retornar com força total - concluiu o secretário.