A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara da Câmara dos Deputados (CCJ) aprovou nesta terça-feira, em caráter conclusivo, projeto de lei do Senado que determina a universalização do ensino médio público gratuito.
Hoje, só há universalização para o ensino fundamental. O projeto deverá seguir, agora, à sanção presidencial.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) já prevê que o Poder Público seja obrigado a universalizar o acesso ao ensino fundamental e, progressivamente, chegar à cobertura do ensino médio.
Ou seja, o Estado deverá oferecer o ensino fundamental gratuito a todos aqueles que desejarem estudar e, com o novo projeto, essa obrigatoriedade se estende até o ensino médio.
De acordo com a presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), Maria Auxiliadora Rezende, a medida pegou todos “de surpresa” e agora será preciso correr atrás do financiamento para garantir o cumprimento da lei.
Uma proposta de emenda à Constituição que previa a ampliação da obrigatoriedade da oferta para o ensino médio e para a pré-escola já tramitava na Câmara, mas estava parada aguardando aprovação em plenário.
A PEC incluia o aumento dos recursos para a educação com o fim gradual da incidência da Desvinculação das Receitas da União (DRU) nos recursos da área.
– Nesse projeto havia a vinculação do recurso para cobrir essas duas pontas: o ensino infantil e o médio. Agora, teremos que buscar a viabilização desse projeto porque a situação não é a mesma para todos os estados –, explicou Maria Auxiliadora.
Segundo a presidente do Consed, os secretários concordam com o princípio da ampliação do ensino médio, mas alguns estados terão dificuldade para implantar a medida.
– Especialmente no Norte e no Nordeste, temos problemas de infraestrutura, mas é muito importante que o país sinalize de forma positiva para essa questão –, ponderou.
O projeto de lei, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), foi aprovado em caráter conclusivo e deve seguir agora à sanção presidencial. Ele prevê que a medida passe a valer em 2010. Auxiliadora ressalta que, mesmo com a ampliação Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que desde 2006 também assegura o financiamento dos alunos do ensino médio, será necessário buscar outras fontes de financiamento.
– Só o fato de o Fundeb incluir o ensino médio não garante o esforço que os estado terão que fazer. A estrutura do ensino médio é carente em muitos estados. Faltam prédios e instalações adequadas. Tudo isso terá que ser construído –, diz.