Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

CCBB esquadrinha os sotaques do samba em shows

Terça, 30 de Agosto de 2005 às 12:25, por: CdB

Fenômeno musical conhecido em todo o Brasil, o samba, como a língua portuguesa, tem sotaques variados, como o partido-alto e os sambas-enredos do Rio de Janeiro, o samba-de-roda e a chula da Bahia, o samba de bumbo de São Paulo, entre outros.

Na trilha das alterações sofridas pelo gênero, o projeto Brasil de Todos os Sambas passeia por Rio, Bahia, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo e mostra os diferentes jeitos de se fazer samba.

- É fundamental que as pessoas saibam que há samba de qualidade em outros estados. Queremos mostrar um pouco do sotaque de cada lugar - declarou o produtor musical Alexandre Pimentel.

A cada terça-feira, às 13h e às 19h30, o teatro do CCBB terá em seu palco grandes compositores e intérpretes dos cinco estados.

 

O primeiro deles é o Rio, que chega com o escritor e compositor Nei Lopes e com Monarco, compositor e cantor da Velha Guarda da Portela.

Prestes a lançar o livro Partido-Alto, Samba de Bamba, pela Pallas Editora, Nei Lopes, de 63 anos, diz que tem teorizado muito sobre o gênero.

 

- O samba no Brasil é um fenômeno sincrônico. Aconteceu em todo o país a chamada dança do tipo samba. No Rio, houve uma mistura que deu no samba urbano como a gente conhece atualmente. Mas as formas rurais aconteceram no Brasil inteiro. É uma coisa tipicamente africana, com procedência bantu. A presença de trabalhadores escravizados de Angola e do Congo no Brasil se deu ao mesmo tempo em quase todo o território nacional, durante praticamente todos os ciclos econômicos. Então, pode-se dizer que existe samba no Brasil desde que o primeiro escravo procedente do Congo e de Angola pisou aqui - explicou ele.

O samba feito no Rio, segundo o escritor e compositor, é uma confluência de todas as vertentes que vieram de fora.

 

- O samba carioca é o samba urbano por excelência, mas se nutre de toda essa tradição interiorana, rural. Hoje, o que vemos em outros centros, como São Paulo, Minas, Maranhão e Bahia, é uma espécie de retorno a esse samba urbano carioca - afirmou.

A origem do samba também é uma das temáticas dos shows. Alguns, consideram o Rio seu nascimento, outros a Bahia.

 

- Isso é uma polêmica que a gente prefere não entrar. Obviamente que o samba do Rio, no início, foi muito influenciado pelos baianos, que traziam esse samba do Recôncavo. Na praça Mauá, na região portuária do Rio e no centro, havia os migrantes baianos, da geração da Tia Ciata, que vinham da Bahia e traziam uma forma de fazer samba que influenciou muito o Rio. Mas em vez de dizer onde surgiu, é melhor mostrar o quanto ele é bom em vários lugares - desconversou Pimentel.

Bem-humorado, o baiano Ferreira, sobrevive das apresentações que faz no Rio.

 

- Existe essa discussão de que o samba nasceu na Bahia. Eu não concordo. Quem sustenta o samba é o Rio. Na Lapa, tem uma casa de samba em cima da outra. Em Salvador não tem uma. Aqui é só essa coisa horrorosa de axé e reggae - encerrou.

 

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