Cavaleiro das Américas cumpre o sonho de viajar do Canadá ao Brasil
O brasileiro Filipe Masseti Leite percorreu em dois anos, um mês e 15 dias os 16 mil quilômetros entre Calgary, no Canadá, até Barretos, no interior paulista. Aos 27 anos, Filipe realizou o sonho de atravessar as Américas a cavalo e chegar à Festa do Peão de Boiadeiro, a mais tradicional do país. O Cavaleiro das Américas, como ficou conhecido, disse que toda essa história começou quando ele ainda era criança.
O Cavaleiro das Américas, como ficou conhecido, disse que toda essa história começou quando ele ainda era criança
O brasileiro Filipe Masseti Leite percorreu em dois anos, um mês e 15 dias os 16 mil quilômetros entre Calgary, no Canadá, até Barretos, no interior paulista. Aos 27 anos, Filipe realizou o sonho de atravessar as Américas a cavalo e chegar à Festa do Peão de Boiadeiro, a mais tradicional do país. O Cavaleiro das Américas, como ficou conhecido, disse que toda essa história começou quando ele ainda era criança.
– Meu pai me contava a história de um suíço que cavalgou da Argentina para os Estados Unidos em 1925. Pensei: Nossa, como é possível andar a cavalo por todos esses países? Um dia vou fazer isso – disse a jornalistas.
Ele se refere ao suíço Aimé Tschiffely, que viajou 25 mil quilômetros a cavalo de Buenos Aires a Nova Iorque. A história foi contada no livro Tschiffely's Ride, obra preferida de seu pai, que virou leitura de cabeceira de ambos e se transformou na maior inspiração para Filipe viajar do Canadá para o Brasil.
A aventura dele foi toda registrada e vai virar um livro e um documentário – Filipe se formou em jornalismo no Canadá. Uma festa está sendo preparada em Barretos para receber o cavaleiro. Artistas e comitivas vão recepcioná-lo no estádio de rodeios projetado por Oscar Niemeyer.
Um monumento no Parque do Peão, onde o evento é realizado, também será inaugurado, e reproduz Filipe e seus três cavalos: dois da raça mangalarga (Frenthie e Bruiser) e um mustang (Dude).
Desistir, jamaisEm alguns momentos, Filipe contou que quase pensou em desistir da viagem. Em agosto e setembro do ano passado ele presenciou dois assassinatos e uma tentativa de homicídio.
– Na Guatemala vi duas mortes. Um morreu porque roubou uma galinha e um outro porque estava envolvido com o narcotráfico. Aquela região tem muita guerra, principalmente no México – afirmou.
Em Honduras, Filipe falou que viu um marido tentar matar a mulher com cinco tiros.
– Fiquei muito abalado. Estava sozinho, sem família. Me perguntava: O que estou fazendo aqui? Mas tive forças e continuei. Não poderia deixar meus cavalos para trás. Eles são meus filhos, meus companheiros, meus melhores amigos. Não poderia abandoná-los. Nunca – disse.
O que mais impressionou Filipe durante a viagem foi a boa vontade das pessoas. Ele disse que sempre pedia ajuda para quem encontrava no caminho, sendo raras as vezes que não achou abrigo, comida e lugar para deixar os cavalos.
– Às vezes a gente acha que o mundo está perdido, que tem muito crime. Mas aí você faz uma viagem dessas e vê que precisa de muita ajuda, todo dia. Fiquei em casas de pessoas simples. Que matavam a única galinha que tinham para me dar o que comer. É uma coisa muito linda – recorda.
A Festa do Peão de Boiadeiro é realizada no Parque do Peão, em Barretos, até o próximo dia 31.
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