Rio de Janeiro, 17 de Março de 2026

Católicos comemoram sucesso da viagem de Bento XVI

A viagem do papa Bento XVI à Turquia cumpriu o seu principal objetivo, que foi a aproximação da Igreja Católica à Ortodoxa e aos muçulmanos. A afirmação é do cardeal primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo. (Leia Mais)

Sexta, 01 de Dezembro de 2006 às 09:21, por: CdB

A viagem do papa Bento XVI à Turquia cumpriu o seu principal objetivo, que foi a aproximação da Igreja Católica à Ortodoxa e aos muçulmanos. A afirmação é do cardeal primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo. O papa  concluiu, nesta sexta-feira, sua viagem à Turquia e recebeu elogios da imprensa local por ter visitado a Mesquita Azul, de Istambul, e rezado voltado para Meca "como os muçulmanos". Bento XVI manifestou sua satisfação pela forma como decorreu a viagem à Turquia e destacou a contribuição na ajuda à "compreensão" entre as religiões.

- Dou graças a Deus por ter podido dar um sinal para o diálogo e para uma maior compreensão entre as religiões e as culturas, em particular com o Islã - frisou.

Na cerimónia de despedida, muito informal, no Aeroporto Ataturk, de Istambul, o Papa disse que "o diálogo é um dever", para todos os fiéis e, em primeiro lugar, para o chefe da Igreja Católica. Em relação à sua estada em solo turco, destacou a "serenidade e a alegria" com que estes dias se passaram. Em conversa com o governador de Istambul, na sala VIP do Aeroporto, Bento XVI agradeceu a todos os que foram responsáveis pela sua segurança e também à população, "que sofreu um pouco" nestes dias. O Papa espera que esta viagem permaneça como "um sinal de amizade entre os povos e as religiões, e tenha um efeito positivo que ultrapasse estes dias".

- Uma parte do meu coração fica em Istambul - disse.

O Papa voltou a referir que a Turquia é uma "ponte" entre dois continentes e saudou os esforços destinados a "abrir o caminho para uma comunhão com a Europa". Quando informado que Istambul será Capital Europeia da Cultura em 2010, comentou que "merece, verdadeiramente". No Aeroporto, o Papa foi saudado por membros da Conferência Episcopal Turca, pelo Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, pelo Patriarca Arménio Mesrob II, pelo Metropolita siro-ortodoxo Filuksinos Cetin e por autoridades locais.

Ao convite de voltar a Istambul, o Papa respondeu:

- Sou velho e não sei quanto tempo me reserva o Senhor. Confiemos nele todas as coisas.

Repercussão

Na capa do jornal Askam, um dos maiores da Turquia, a manchete estampada na edição desta sexta-feira foi: "A temida visita do papa foi concluída com uma maravilhosa surpresa".

Já o popular Hurriyet escreveu: "Na mesquita Sultão Ahmet (nome oficial da Mesquita Azul), ele se voltou para Meca e rezou como os muçulmanos".

Durante a visita, o papa também manifestou apoio à adesão turca à União Européia e elogiou o caráter pacífico do Islã. Aparentemente, esses gestos eliminaram o mal-estar decorrente do discurso de setembro, em que ele citava um imperador bizantino para o qual o Islã era uma religião violenta e irracional. Mas, no mundo árabe, vários comentaristas continuam pedindo que Bento XVI peça desculpas pelo discurso. Surpreso pelos protestos provocados, o papa disse não concordar com a frase mencionada no discurso, mas não se desculpou.

Autoridades católicas também descreveram como um momento importante de reconciliação a visita do papa à mesquita, onde ele ficou de pé, orando silenciosamente, enquanto o grão-mufti de Istambul, Mustafa Cagrici, rezava em voz alta.

- Eu compararia a visita do papa à mesquita com os gestos do papa João Paulo II no Muro das Lamentações. Bento XVI fez com os muçulmanos o que João Paulo II fez com os judeus - disse o influente cardeal Roger Etchegaray, referindo-se às orações do falecido pontífice em Jerusalém, em 2000.

A visita, que começou em Ancara e incluiu uma parada na cidade antiga de Éfeso, revelou um lado diplomático do papa, de quem se espera uma posição mais dura em relação ao Islã do que a demonstrada por João Paulo 2.

Bento XVI cobrou mais liberdade religiosa na Turquia e, por extensão, no resto do mundo islâmico, mas sem o tom de confronto que muitos na Igreja previam após sua eleição, em abril de 2005.

Os protestos contra a visit

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