A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido de abertura de inquérito contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi adiada para quinta-feira.
O ministro relator da matéria, Marco Aurélio Mello, pretendia questionar o plenário do STF nesta quarta-feira sobre sua competência de autorizar a abertura do inquérito antes mesmo da Corte julgar a constitucionalidade do status de ministro concedido ao presidente do BC.
Mello, no entanto, não pôde fazer o questionamento por conta da demora no julgamento da constitucionalidade do Conselho Nacional de Justiça, e acertou com o presidente do Supremo que a questão será debatida na sessão de quinta-feira.
"Não me sinto à vontade de atuar se tenho dúvidas em relação à competência", disse Mello. O pedido de abertura de inquérito foi feito pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles.
Existem duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) contra o foro especial que tramitam no STF e devem ser julgadas nas próximas semanas, segundo a assessoria do Supremo.
Mello já sinalizou sua disposição de autorizar a abertura do inquérito se o pleno do Supremo avaliar que as Adin não precisam ser julgadas antes ou se elas forem rejeitadas.
"Eu acho que o interessado na investigação é o próprio Meirelles, para ...(mostrar) que não há comprometimento algum, não houve desvio de conduta algum", disse a jornalistas no início da noite. "Como presidente do BC ele tem esse direito." O pedido de Fonteles sugere investigações para apurar o envolvimento de Meirelles em crime contra o sistema financeiro nacional, evasão de divisas e crime eleitoral.