Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Caso Lamarca: A mídia e os saudosos da ditadura

Por Altamiro Borges - A decisão da Comissão de Anistia do governo Lula, de fazer uma justiça histórica ao promover para o posto de general o capitão Carlos Lamarca e de indenizar sua família, gerou uma brutal reação da mídia burguesa, que não perde a oportunidade para demonstrar o seu truculento caráter de classe. (Leia Mais)

Segunda, 18 de Junho de 2007 às 08:53, por: CdB

A decisão da Comissão de Anistia do governo Lula, de fazer uma justiça histórica ao promover para o posto de general o capitão Carlos Lamarca e de indenizar sua família, gerou uma brutal reação da mídia burguesa, que não perde a oportunidade para demonstrar o seu truculento caráter de classe. A revista IstoÉ trouxe uma inoportuna entrevista com o coronel reformado Jarbas Passarinho, ex-ministro dos governos do ditadura, atacando a medida e afirmando, com todas as letras, que "eu faria tudo de novo" - golpe, prisões, torturas e assassinatos de patriotas. Já a TV Globo divulgou a decisão sempre de forma jocosa, como se o guerrilheiro morto na Bahia fosse um monstro e seus algozes fossem os heróis que evitaram a "ditadura comunista".

As reações mais hidrófobas, entretanto, partiram da revista Veja (sempre ela!) e do jornalão conservador O Estado de S.Paulo. Com o título "bolsa-terrorismo", o panfleto da famiglia Civita parece ter sido escrito por algum fanático do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) remanescente do período do regime militar. O texto é totalmente editorializado, não tem nada de informativo, e revela uma saudade mórbida da ditadura - talvez como gratidão pelos subsídios estatais que viabilizaram a construção do império midiático da Editora Abril. Já no seu blog da Veja, Reinaldo Azevedo, um raivoso mentor "intelectual" do PSDB, abusa dos adjetivos e chavões para atacar as indenizações às vitimas da ditadura militar previstas na Lei da Anistia.

Blog fascista de Reinaldo Azevedo

"Os terroristas não sabiam, mas estavam investindo em seu patrimônio. Ou da família. Até gente que nunca atirou uma pedra com estilingue recebeu indenizações milionárias como 'vitimas da ditadura'. Lula é um pensionista, imaginem", debocha o articulista da "nova direita", esquecendo-se de citar seus amigos tucanos que também foram incluídos na Lei da Anistia. Após confessar que é "anticomunista, o que só pode ser uma doença", achincalha com a biografia heróica do guerrilheiro. "Lamarca desertou do Exército em 1969 para integrar uma facção terrorista. Abriu mão de ser um militar. Morreu (não diz que foi assassinado) em 1971. Mas a comissão do Ministério da Justiça resolveu 'promovê-lo'. Promoção por quê? Por ele ter tentado implantar no Brasil um regime que, em caso de sucesso, não teria matado menos de alguns milhões?".

Reinaldo Azevedo encerra seu texto na Veja, intitulado "a bilionária bolsa-terrorismo paga pelo Brasil", de maneira infame: "O Brasil não deve nada a esses caras, incluindo a democracia, que eles tanto detestavam". Esta mentira histórica descarada é um desrespeito a todos que lutaram contra a ditadura militar e merecia a abertura de processos jurídicos de suas vítimas. Até lideranças do PSDB, que tiveram o reconhecido mérito de lutar pela redemocratização do país, deveriam protestar contra este "jornalista" que a mídia apresenta como "mentor tucano". Do contrário, elas serão cúmplices das sandices deste provocador fascistóide.

Ranço anticomunista do Estadão

Com o mesmo rancor, mas sem se esconder atrás do falso ecletismo das matérias jornalísticas ou dos bem pagos colunistas, o Estadão expôs sua opinião direitista já no editorial "prêmio ao facínora desertor". Nele o jornalão conservador afirma que "a decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, concedendo pensão equivalente ao soldo de general-de-brigada à viúva do capitão desertor Carlos Lamarca, ultrapassa todos os limites do bom senso". Após citar outro intelectual vinculado ao PSDB (baita companhia), Leôncio Martins Rodrigues, que afirma que a indenização "é uma recompensa a quem queria instaurar uma ditadura socialista", o editorial tenta se colocar acima dos poderes da República, como autêntico "partido da direita".

Além de criticar o Superior Tribunal de Justiça (STJ), "que considerou, de f

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