Caso juíza: Disque-Denúncia recebeu mais de 70 ligações
O Disque-Denúncia já recebeu 71 ligações sobre o asassinato da juíza Patrícia Acioli, que foi atingida por 21 tiros quando chegava em casa, na última sexta, em Niterói, na Região Metropolitana, e não resistiu. Um força-tarefa formada por três juízes vai assumir a 4ª Vara de Criminal de São Gonçalo, onde a magistrada atuava. Eles farão um levantamento dos casos que estavam sob responsabilidade da juíza.
O Disque-Denúncia já recebeu 71 ligações sobre o asassinato da juíza Patrícia Acioli, que foi atingida por 21 tiros quando chegava em casa, na última sexta, em Niterói, na Região Metropolitana, e não resistiu.
Desde o dia do crime, pelo menos vinte pessoas prestaram depoimento. De acordo com policiais da Divisão de Homicídios, que investigam o caso, ainda não há informações sobre novos depoimentos nesta segunda. Cerca de vinte policiais investigam o caso.
Segundo Zeca Borges, coordenador do Disque-Denúncias, todas as informações recebidas no Disque-Denúncia são imediatamente repassadas para a polícia. O serviço funciona 24 horas por dia e o anonimato é garantido. As denúncias podem ser feitas pelo telefone (21) 2253-1177
Neste domingo, Simone Acioli falou sobre o comportamento da irmã.
– Apesar de todos os riscos, ela nunca se acovardou e sempre enfrentou todos esses bandidos com medo, mas com muita coragem. Minha preocupação é que não pare só nos executores. É fundamental chegar naqueles que comandaram, nos mandantes do crime, para que eles sejam punidos e para que a morte dela não vire mais uma estatística –, disse.
Durante o fim de semana foram presos oito policiais militares do Batalhão de São Gonçalo acusados de assassinar um jovem em uma comunidade da cidade. A prisão preventiva do grupo havia sido decretada por Patrícia horas antes de ela ser executada
A Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a criação de uma força-tarefa para esclarecer o assassinato da juíza Patrícia Acioli.
No ofício enviado ao ministro pelo presidente da AMB, Nelson Calandra, os magistrados pedem uma ação enérgica e rápida para investigar o crime.
– Quando um juiz sofre um ataque é também um atentado ao Estado, à democracia e à sociedade brasileira –, disse Calandra.
– Não descansaremos enquanto não forem presos os responsáveis por essa atrocidade e apurada a autoria. Queremos uma resposta rápida, enérgica e exemplar –, destacou.
Patrícia, de 47 anos, trabalhava na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, município também da região metropolitana do Rio. Ela era conhecida por atuar com rigor no combate a grupos de extermínio, milícias que agem em São Gonçalo, além de máfias que controlam o comércio de combustíveis e o transporte clandestino na região.
Um força-tarefa formada por três juízes vai assumir a 4ª Vara de Criminal de São Gonçalo, onde a magistrada Patrícia Aciol atuava. Eles farão um levantamento dos casos que estavam sob responsabilidade da juíza para avaliar possíveis ligações entre os réus dos processos e o crime. Equipes da Divisão de Homicídios continuam realizando diligências para tentar esclarecer o assassinato.
O município de São Gonçalo particamente parou na manhã desta segunda-feira para acompanhar de perto a manifestação de protesto contra a morte de juiza Patrícia Acioli. Funcionários do Fórum da cidade de São Gonçalo, familiares de Patrícia e populares ocuparam a área em frente ao local onde a juíza trabalhava e usando mordaças pretas colocaram rosas no chão, em silêncio, em um ato de protesto pelo assassinato.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seção São Gonçalo, José Luís Muniz, disse que espera que este crime não seja esquecido "para que a pistolagem contra magistrados não se torne fato comum no Rio de Janeiro".
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