A oposição queria mesmo o fígado de José Dirceu, primeiro deputado do PT cassado após uma boa briga jurídica, com lances de agressões físicas, morais e muita política rasteira. É o que começa a investigar a assessoria do petista histórico, agredido por um velhinho e sua bengala, em um dos corredores da Câmara. O ex-ministro-chefe da Casa Civil pediu que sua assessoria levantasse a verdadeira origem do episódio. O que se encontrou até agora foi uma série de fatos que, apresentados à Justiça na semana que vem, podem render um curioso capítulo na tentativa de o ex-parlamentar ver de volta os seus direitos políticos.
O agressor de Dirceu seria, na verdade, segundo fonte ligada à direção do PT no Paraná, um ator pago para representar o papel de um brasileiro muito aborrecido com o ex-parlamentar petista. Yves Hublet, que tem residência em Brasília, é conhecido em Curitiba como o ator que participou do filme O Paraíso das Solteironas (com Amácio Mazzaropi). As ligações de Hublet com a direita, porém, viriam de longe. Sua última participação em um longa-metragem foi no épico Independência ou Morte, estrelado por Tarcísio Meira, produzido com recursos da extinta Embrafilme, durante o período da ditadura militar, em 1972.
A barba branca e o físico modesto emprestam-lhe a imagem do pacato cidadão que, revoltado e às bengaladas, simbolizaria uma catarse nacional contra Dirceu, às vésperas do julgamento que lhe retirou os direitos políticos, na prática, por uma década. Essa mesma aparência de bonachão permite que Hublet seja encontrado no Shopping Central Mueller, de Curitiba, como um dos dois papais noéis que atuam no centro comercial, quando contratado pelo empresário Salomão Soifer, dono do empreendimento e sócio do deputado federal Eduardo Sciarra (PFL-PR).
Segundo apurou a assessoria do PT paranaense, Hublet teria sido contratado pela assessoria do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que tem um escritório político a poucos metros do shopping onde o ator trabalha, quando chamado para as festas de fim de ano. O ato de agressão de Hublet, segundo assessores petistas, foi pautado para alguns dos principais jornais do país, em Brasília, por uma jornalista da sucursal do diário paulista Folha de S. Paulo, em Curitiba. Na redação da Folha, o jornalista que se preferiu se identificar apenas como Júlio negou a história.
- A chefe da sucursal da Folha, em Curitiba, está de férias e prefiro não revelar o nome dela. Esse assunto já circula há mais de duas semanas pela imprensa e não faz o menor sentido - disse Júlio ao Correio do Brasil, embora tenha concordado que o aviso de pauta para as bengaladas em José Dirceu iria provocar, instantaneamente, o interesse da imprensa.
Alguns dias antes do atentado a Dirceu, Hublet estaria em Curitiba e sua passagem aérea para Brasília, às vésperas da agressão, fora debitada na conta de Paulo Abbas, assessor do senador tucano, em uma agência de turismo local. Abbas nega ter conhecido Hublet e considera o episódio "uma piada".
- Nunca ouvi falar desse cidadão até acontecer esse episódio de dizerem, pela internet, que eu paguei a passagem dele. Isso não existe - resumiu.
A origem
Em 01 de dezembro, o leitor da coluna de Jorge Moreno na internet, do diário carioca O Globo, que assina apenas com as iniciais MCRG, titular do endereço eletrônico mcrgoulart@hotmail.com, escreveu:
"A FARSA: o "irado velhinho" agressor de Dirceu é na verdade um ATOR PAGO PARA FAZER O QUE FEZ. Yves Hublet atuou nos filmes "O Paraíso das Solteironas" (com Mazzaropi) e em "Independencia ou Morte" (c/ Tarcísio Meira), filme épico produzido pela Ditadura Militar em 1972. O "bom e simpático velhinho", que simbolizaria a "ira santa nacional contra Dirceu, o Dragão da Maldade" - por sinal muito fotogênico - trabalha sempre como "Papai Noel" no