Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Caso Battisti: Suplicy acredita que Itália aceitará decisão brasileira

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou, nesta quinta-feira, que a decisão brasileira sobre o caso de Cesare Battisti não deve ser interpretada como "um ato de hostilidade contra a Itália", esclarecendo que "ainda há muitas dúvidas sobre a condenação de Battisti pela Justiça italiana". (Leia Mais)

Quinta, 29 de Janeiro de 2009 às 13:33, por: CdB

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou, nesta quinta-feira, que a decisão brasileira sobre o caso de Cesare Battisti não deve ser interpretada como "um ato de hostilidade contra a Itália", esclarecendo que "ainda há muitas dúvidas sobre a condenação de Battisti pela Justiça italiana". Em entrevista ao jornal italiano La Stampa, o senador afirmou que "o governo italiano deve levar em consideração a decisão soberana do Brasil".

– Não se trata de um ato de hostilidade contra a Itália, muito menos contra os italianos, mas ainda restam muitas dúvidas sobre a condenação de Battisti pela Justiça italiana – disse.

Segundo Suplicy, Battisti, ex-militante de esquerda, admitiu ter participado de diversas ações subversivas, mas garante não ter cometido nenhum homicídio.

– Ele admite ter participado de diversas ações subversivas e ações contra o Estado italiano nos anos 70, mas não de ter cometido os quatro homicídios – afirmou.

Battisti está disposto, inclusive, a se encontrar com os familiares das vítimas para, "olhando-os nos olhos", dizer que ele "não participou de nenhum desses homicídios, muito menos de seus planejamentos", afirmou o senador.

Militante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti foi condenado na Itália por quatro assassinatos cometidos no fim da década de 1970. A recente concessão, por parte das autoridades brasileiras, de status de refugiado político a Battisti, gerou uma tensão entre Itália e Brasil e, consequentemente, uma crise diplomática.  Na última terça-feira, a Itália chamou seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, para consultas. Por sua parte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o assunto está "encerrado" no âmbito do Poder Executivo.

'Sou inocente'

Battisti negou, em entrevista à revista IstoÉ, ter matado alguém durante toda a sua vida e desabafa: "Não acredito no que está acontecendo". O ex-militante comunista recebeu do ministro da Jutiça, Tarso Genro, a condição de refugiado político, no último dia 13. Ele, porém, continua encarcerado na prisão da Papuda, em Brasília, onde se encontra desde 2007.

– Eu, sinceramente, não acredito que tudo isso esteja acontecendo. É enorme, é exagerado. Eu não sou essa pessoa tão importante. Sou um dos milhares de militantes italianos dos anos 1970. Sou um das centenas de militantes que se refugiaram no mundo inteiro, fugindo dos anos de chumbo da Itália. Por que tudo isso comigo? – questiona o ex-ativista na entrevista.

O italiano diz ainda que a decisão de Tarso é bem fundamentada.

– Ele analisou todos os documentos. Não foi uma leitura superficial. E a perseguição política está provada nos documentos. Acho que o gesto do ministro Genro foi de coragem e de humanidade. A decisão é muito importante não só para mim, Cesare Battisti, mas para a humanidade – afirmou.

Na entrevista, Battisti afirma nunca ter matado ninguém.

– Eu nunca matei ninguém. Eu nunca fui um militante militar em nenhuma organização. Nem na Frente Ampla nem nos PAC, onde fiquei dois anos, entre 1976 e 1978 – rebate.

Refugiados

O italiano afirmou que resolveu vir para ao Brasil porque sabia que no país "existiam muitos refugiados italianos".

– Tinha o contato do Fernando Gabeira. Não o conhecia pessoalmente, mas tínhamos amigos em comum. Tinha também outros endereços que nunca usei, como o do Ziraldo, o escritor. Gabeira foi muito receptivo comigo. Eu não falava português, mas ele falava francês e italiano. Foi uma grande ajuda para mim, psicologicamente – lembrou.

Battisti afirma, no entanto, que Gabeira não o ajudou financeiramente.

– Não, ele me deu ajuda psicológica. Eu vivia dos direitos autorais dos livros que tenho publicado na França. E, desde que cheguei ao Brasil, já escrevi outros três livros – afirmou.

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