Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Caso Battisti: Itália prepara ação contra o Brasil em corte internacional

A Itália pretende dar o primeiro passo junto à Justiça internacional contra o Brasil, que negou a extradição do ex-militante Cesare Battisti, disse nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini.

Terça, 14 de Junho de 2011 às 23:39, por: CdB
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A Itália pretende dar o primeiro passo junto à Justiça internacional contra o Brasil, que negou a extradição do ex-militante Cesare Battisti, disse nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini. – Até 25 de junho será apresentada a demanda ao Comitê de Conciliação com o Brasil, que representa condição prévia para o recurso ao Tribunal Internacional de Haia – disse Frattini a jornalistas. O governo italiano acredita que, ao libertar o militante de extrema esquerda, condenado por homicídio na Itália, o Brasil violou o tratado de extradição celebrado com a Itália. – Falei com o embaixador La Francesca (Gherardo La Francesca, embaixador da Itália em Brasília, chamado de volta a Roma para consultas) e em poucos dias prepararemos a demanda ao Comitê de Conciliação – disse o chanceler, acrescentando que a Itália não pretende esperar as razões da Justiça brasileira na sentença contrária à extradição de Battisti. O Comitê de Conciliação, instituído pelo Tratado de Conciliação e Regulamento Judicial assinado pela Itália e pelo Brasil em 1954, tem quatro meses para se pronunciar sobre o caso. No caso das conclusões do Comitê serem rejeitadas, abre-se o caminho para recorrer ao Tribunal de Haia, tribunal da Organização das Nações Unidas que analisa a possível responsabilidade dos Estados por violação do direito internacional. No último dia 9, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 6 votos a 3, acatar a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de negar a extradição de Battisti para a Itália e determinou sua libertação imediata. O ex-militante, que estava preso no Brasil desde 2007, foi condenado à revelia na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos na década de 1970. Ele era membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Battisti nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política. Viagem adiada Após conhecer a decisão da Itália de levar o Brasil às barras de uma corte internacional, o ex-presidente Lula cancelou sua visita ao país, prevista para o final deste mês. Ele prefere aguardar os desdobramentos e evitar quaisquer manifestações políticas e populares de hostilidade devido à decisão de manter Battisti em solo brasileiro. Lula, no entanto, manterá seu peso político junto à candidatura do brasileiro José Graziano da Silva à direção geral da órgão da FAO, organização da ONU para a agricultura e alimentação. A viagem de Lula coincidiria com as eleições Lula viajaria à Roma para um seminário sobre agricultura no próximo dia 24 e iria acompanhar a eleição do novo diretor-geral da FAO. Na avaliação do novo cenário político, no entanto, o ex-presidente avaliou que, em vez de trunfo, poderia ser um obstáculo à vitória de Graziano na sucessão do senegalês Jacques Diouf. O governo brasileiro está empenhado na vitória de Graziano, que concorre com candidatos de Indonésia, Iraque, Irã, Áustria e Espanha. O adversário mais forte é o ex-chanceler espanhol Miguem Angel Moratinos.
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