Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Casas populares podem ter tijolos feitos por presos

Quarta, 06 de Agosto de 2008 às 07:13, por: CdB

O presidente da Fundação Santa Cabrini, Jaime Melo de Sá, fez esta semana uma apresentação a técnicos da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab-RJ) e a pequenos e médios empresários da construção civil para explicar a funcionalidade dos tijolos ecológicos, que estão sendo produzidos por presos do sistema carcerário estadual.

A fábrica de tijolos instalada no Complexo Penitenciário de Bangu tem capacidade para produzir seis mil unidades diárias. Em breve, a produção deverá passar para 25 mil peças. O custo do milheiro sai a R$ 500. 

– O sistema produtivo diminui o custo em até 50%, em relação aos tijolos tradicionais. A mão-de-obra também cai pela metade. As peças se encaixam e dispensam a utilização de argamassa e de embosso das paredes e, portanto, pode se transformar num grande aliado para a redução do déficit de casas populares – explicou Jaime de Sá.

O diretor de Obras da Cehab-RJ, Sydnei Menezes, vai apresentar relatório ao presidente da Companhia, Luiz Fernando Anchite, para que seja analisada a possibilidade de estimular as empreiteiras contratadas pela companhia, a empregar o material em programas como o FNHIS, PAC Serla, PAR e Crédito Solidário. 

– A ressocialização do preso é o valor humanitário que está embutido no programa da Fundação Santa Cabrini. Merece o estímulo do serviço público e da iniciativa privada – alerta Sydnei Menezes.

A criação é do professor de engenharia Francisco Casanova, da Coppe/UFRJ. Os tijolos são compostos com 70% de solo, 17% de resíduos industriais doados, 10% de cimento e 3% de cal. A secagem é solar e, por não haver cozimento, a emissão de gases é reduzida. O secretário de Habitação, Noel de Carvalho, quer ter em mãos os estudos que serão elaborados por funcionários da companhia, para conhecer a capacidade produtiva e a possibilidade de uso nas obras da Companhia. 

– Outras medidas como o aproveitamento da água da chuva e da energia solar, já estão sendo pesquisados pelo Governo do Estado para aplicação nas casas populares. Vamos construir as moradias da população fluminense com selo verde. Este é um caminho natural a ser adotado por todos os países – completa Noel de Carvalho.

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