Ogoverno acaba de lançar o plano "Brasil Maior” como um conjunto de medidas deincentivo à indústria. Certamente duas questões básicas que constituem o panode fundo de nossa situação presente nos ajudam na compreensão desta proposta.Em primeiro lugar, a crise do capitalismo internacional em sua fase maisrecente. Há quase pânico disseminado, sobretudo, na União Europeia e nos EstadosUnidos. Na semana passada o mercado financeiro global viveu um dia quecertamente nos lembrou os momentos mais difíceis da crise que eclodiu em 2008com uma queda generalizada das bolsas de valores em todo o mundo. Esta situaçãoaponta para consequências graves para a economia no mundo todo.
Emsegundo lugar, os resultados do modelo de desenvolvimento econômico implantadono governo anterior estão mostrando com muita clareza seus traços básicosatravés da reprimarização da economia e de um processo acentuado dedesindustrialização do país. O peso da indústria de transformação na economianacional que nos anos 80 era de 33% se encontra em 2010 na ordem de 15,7%enquanto está em plena aceleração o crescimento da economia baseada em produtosprimários com o avanço do agronegócio e da mineração. Muitos economistas chamamatenção para o fato de que economia desindustrializada implica perda decompetitividade no mercado internacional e atrofiamento da pesquisa e datecnologia que produz ganhos para o conjunto da economia de um país. Um de seusefeitos sociais mais graves é que ela precariza o mercado de trabalho já que osmelhores salários se encontram na indústria de bens manufaturados. Ainda pioraa situação fato de o Brasil se ter exposto à concorrência internacional sempossuir condições de enfrentá-la.
Houvediferentes tipos de reação a esta proposta. O Professor Wilson Cano da Unicampaponta para a ineficácia do plano em virtude de uma contradição de base quemarca nossa economia desde o governo anterior. Para ele, mesmo o plano maisinteligente será inoperante no atual contexto econômico brasileiro, porque quemrege as regras gerais da economia é a política macroeconômica e não a políticaindustrial, agrícola, tributária. Permanecendo a administração dos juros, dogasto público e da taxa de câmbio como está atualmente, não há possibilidade deproteger e salvar qualquer setor da indústria nacional. O câmbio é simplesmentecentral. Ele se encontra apreciado no momento atual aproximadamente 30%.Alterar o câmbio seria muito mais eficaz do que conceder as desoneraçõesprevistas no plano para os setores tradicionais da indústria, que apesar deempregarem muito, atingem apenas 8% a 9% da folha salarial da indústria.
Numapalavra, qual é a questão de fundo? Para a política macroeconômica a questãocentral da economia é a política anti-inflacionária. Em virtude disto com oplano Brasil Maior as questões estruturais a serem enfrentadas, ou seja, aquestão da taxa de juros e da taxa de câmbio, não são tocadas, elas são muitomaiores do que estas que estão querendo resolver. Dessa forma se revela que atentativa de casamento entre neoliberalismo na política macroeconômica edesenvolvimentismo na política industrial está condenada ao fracasso.