Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Casamento adiado

Estreou no último final de semana O casamento de Romeu e Julieta, filme brasileiro dirigido por Bruno Barreto com forte apelo popular. O forte apelo se deve pelo filme tratar de algo bastante peculiar entre os brasileiros: o culto ao futebol. (Leia Mais)

Segunda, 21 de Março de 2005 às 08:23, por: CdB

Estreou no último final de semana O casamento de Romeu e Julieta, filme brasileiro dirigido por Bruno Barreto com forte apelo popular. O forte apelo se deve pelo filme tratar de algo bastante peculiar entre os brasileiros: o culto ao futebol. Aos cariocas talvez nem tanto, por se tratar de corinthianos e palmeirenses. Mas no final, ficou a impressão de ter se perdido um bom argumento e ter se produzido uma bobagem.
 
Os filmes produzidos por Luiz Carlos Barreto nos últimos 10 anos são sempre um fiasco, até aí não tem novidade nenhuma. O caminho das nuvens, A paixão de Jacobina, Bela Donna, Bossa Nova, Uma aventura de Zico, O que é isso, companheiro?, atestam essa vocação em fazer coisa ruim, de gosto, inquestionavelmente, duvidoso. O que é uma pena, visto que Barretão já produziu grandes filmes do cinema brasileiro, como Bye Bye Brasil, Vidas Secas, O padre e a moça, A hora e a vez de Augusto Matraga, entre outros.
 
O trailer de O casamento de Romeu e Julieta levava a crer que talvez estivesse aí a redenção dos dois Barretos (Bruno e Luiz Carlos). Infelizmente, não foi o caso. Apesar de trazer ótimas piadas, algumas boas atuações (Luiz Gustavo e Marco Ricca), O casamento de Romeu e Julieta acabou se tornando uma produção de boutique (veste bem, mas sem a roupa, é feio). Reparem como a retratação dos personagens lembra filmes como Avassaladoras, Sexo, amor e traição e Redentor.
 
Atrás dos personagens, estão os atores. Os rostos globais, bastante conhecidos, são outro elemento que deve ser levado em consideração aqui. Não importa quem seja o diretor dos filmes da L.C. Barreto, a escalação do elenco é composta sempre de atores da Globo. E eles, por sua vez, nem sempre se saem bem no cinema (adivinha só, fazer cinema não é fazer TV, Luana e Mel).
 
Uma pena, O casamento de Romeu e Julieta é uma oportunidade desperdiçada de se fazer um filme popular, de forma popular, e ser bom. Engraçado que atualmente, parece que o único nome que pode chegar a esse cinema é o de Luiz Carlos Barreto. E suas tentativas podem não ser em vão, parecem muito mais próximas de algo positivo do que as produções da Conspiração ou de Walter Salles. 

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