A casa de Ademir Olivera do Rosário, 36 anos, suspeito de matar dois irmãos na Serra da Cantareira, em São Paulo, foi apedrejada na noite de quarta-feira após o anúncio da prisão de Ademir. A residência, que fica no bairro Jardim Recanto, teve parte do telhado furada por pedras e tijolos arremessados contra os fundos da casa. O local teve de receber escolta policial.
Os irmãos e o pai do rapaz disseram que sentem receio do que possa acontecer. Roberto Oliveira do Rosário, 29 anos, irmão do suspeito, afirmou que Ademir sempre foi problemático e que a família não pode pagar pelo ato que ele cometeu. Roberto depôs na polícia antes da prisão e acredita que o irmão possa ser o autor do crime.
— Antes mesmo da prisão, muita gente já dizia que poderia ter sido o meu irmão. E realmente o retrato falado divulgado pela polícia é muito parecido com ele —.
Roberto afirmou que o irmão tem problemas mentais e que é tratado com remédios na própria Penitenciária de Franco da Rocha, onde cumpria desinternação progressiva, uma categoria do regime semi-aberto, e que só pode sair no fim de semana para visitar à família e passa por um acompanhamento psicológico de seis em seis meses, até esta quarta. Agora ele teve prisão preventiva decretada e está no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Armando do Rosário, 72 anos, pai de Ademir, disse que nesta noite ninguém conseguiu dormir.
— As pessoas estão falando que ele cometeu o crime, mas eu não posso afirmar isso —.
Policiais do Centro de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar localizaram na terça-feira os corpos dos irmãos Josenaldo José de Oliveira, 12 anos, e Francisco de Oliveira Neto, 15 anos, que estavam desaparecidos na Serra da Cantareira desde sábado, em São Paulo. Ambos estavam nus e tinham perfurações, provocadas por objeto cortante, nos corpos.
Os garotos foram localizados a cerca de 1,5 km do local de onde desapareceram. O capitão Luiz Renato Fiori, comandante do COE, disse que um dos corpos foi encontrado às 10h e o outro por volta das 12h. Eles estavam a uma distância de 100 m um do outro.
Segundo a polícia, próximo a um dos corpos havia uma uma embalagem de preservativo. Também nas proximidades foi encontrada uma ossada que, aparentemente, seria de uma criança. O material foi levado para análise.