Já criticada pelo pós-guerra no Iraque, a Casa Branca enfrenta agora um escândalo provocado pelo "caso Wilson", explorado pela oposição democrata. A abertura oficial de uma investigação pelo departamento da Justiça incitou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a evocar publicamente o caso, que poderia perturbar seriamente seus planos de reeleição em 2004. A oposição democrata exigiu a abertura de uma enquete paralela independente.
O "caso Wilson" revela principalmente as divisões do governo Bush, que até agora, quando ocorriam, eram dissimuladas à imprensa. "Um funcionário do governo Bush se virou contra seus colegas", resumiu o Washington Post. O jornal destacou no último final de semana que foi um funcionário da Casa Branca que revelou à imprensa que a mulher de Josph Wilson era uma agente secreta da CIA. A abertura da investigação põe novamente a Casa Branca na mira das críticas.
Em janeiro de 2003, durante o discurso sobre o estado da União, o presidente americano assumiu, para justificar a intervenção militar no Iraque, alegações segundo as quais Saddam Hussein tinha tentado adquirir urânio enriquecido no Níger. Joseph Wilson, ex-diplomata, encarregado de uma missão no Níger para apurar os fatos, fez um relatório refutando as alegações.
Ante a obstinação do governo Bush em manter e repetir este argumento, Wilson entregou seu relatório à imprensa. Funcionários da Casa Branca teriam então, em represália, revelado publicamente que a mulher de Wilson era uma agente secreta da CIA.
Os democratas acreditam que o departamento da Justiça esteja vinculado em excesso ao governo, e querem uma comissão independente para investigar o caso.
Enquanto isto, o relatório de David Kay, ex-inspetor das Nações Unidas encarregado pelo governo Bush de encontrar armas de destruição em massa no Iraque, deve ser publicado nos próximos dias. Ele não parece conter informações que possam confirmar as acusações americanas utilizadas para justificar a guerra.
George W. Bush ainda não conseguiu que o Congresso aprove seu pedido de US$ 87 bilhões para financiar as operações de estabilização e reconstrução do Afeganistão e do Iraque, onde permanecem 130 mil soldados americanos.
A Casa Branca e a maioria republicana no Congresso continuavam nesta hoje a rejeitar os pedidos para uma investigação independente no "caso Wilson".