A Casa Branca disse na segunda-feira que uma reportagem da Newsweek feita com fontes anônimas prejudicou a imagem internacional dos Estados Unidos, ao afirmar que investigadores norte-americanos teriam profanado o Alcorão na prisão militar da baía de Guantánamo.
A reportagem, na edição de 9 de maio, provocou inflamadas manifestações em todo o mundo islâmico. No Afeganistão, país de origem da maior parte dos supostos militantes detidos pelos EUA na base de Guantánamo, encravada em Cuba, pelo menos 16 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas.
O editor da Newsweek, Mark Whitaker, pediu no domingo perdão pelas vítimas dos distúrbios e disse que reportagem estava errada, porque não havia confirmação dos fatos relatados.
- É intrigante que, embora a Newsweek agora reconheça que pegou os fatos errados, se recuse a se retratar na história - disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.
- Acho que há certos padrões jornalísticos que deveriam ser cumpridos, e neste caso não foram.
Os governos do Egito, da Arábia Saudita, de Bangladesh e da Malásia, além da Liga Árabe, criticaram os EUA pela suposta profanação do livro sagrado do Islã.
McClellan reclamou do fato de a reportagem:
- Ser baseada em uma única fonte anônima, que não poderia consubstanciar pessoalmente as acusações feitas.
- A reportagem teve sérias consequências - acrescentou.
- Pessoas perderam suas vidas. A imagem dos Estados Unidos no exterior foi prejudicada.
A Newsweek disse em sua edição de 23 de maio que a informação havia sido transmitida por "uma fonte confiável do governo".
De acordo com a matéria anterior, os investigadores militares dos EUA teriam jogado exemplares do Alcorão em latrinas e, pelo menos num caso, teriam acionado a descarga. Com isso, eles pretendiam pressionar os presos muçulmanos a falarem.
Mas a fonte posteriormente disse à revista que não tinha certeza de ter visto relatos oficiais do incidente.
Casa Branca critica reportagem da <i>Newsweek</i> sobre o Alcorão
Segunda, 16 de Maio de 2005 às 12:04, por: CdB