Washington e seus parceiros internacionais permanecem seriamente preocupados com o programa nuclear de Teerã, mas a transferência de urânio pouco enriquecido para fora do território iraniano, como o país havia concordado em fazer em outubro, seria um passo positivo, disse a Casa Branca na segunda-feira. O Irã concordou com os mediadores Brasil e Turquia de que mandaria parte de seu urânio para o exterior, revivendo um plano de troca de combustível esboçado pela Organização das Nações Unidas (ONU) numa aparente concessão sobre seu programa nuclear.
Mas Teerã deixou claro que não tem a intenção de suspender o enriquecimento de urânio, o qual o Ocidente suspeita ter como objetivo a fabricação de bombas. Washington somou-se a outras grandes potências ao expressar ceticismo, enquanto analistas afirmaram que a iniciativa poderia ajudar a dividir a comunidade internacional e evitar as sanções da ONU planejadas.
"O Irã precisa tomar os passos necessários para garantir à comunidade internacional que seu programa nuclear é destinado exclusivamente a fins pacíficos", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, num comunicado, ou enfrentar as consequências, que incluem sanções.
Gibbs reconheceu os esforços feitos pela Turquia e pelo Brasil e afirmou que a proposta precisa "ser comunicada com clareza e assertivamente" à Agência Internacional de Energia Atômica, antes que possa ser avaliada pela comunidade internacional. "Dado o repetido fracasso do Irã em cumprir com suas obrigações e a necessidade de tratar de questões fundamentais relacionadas ao programa nuclear do Irã, os Estados Unidos e a comunidade internacional continuam a ter sérias preocupações", disse Gibbs.
Teerã havia concordado, em conversações com as grandes potências em Genebra em outubro, em levar a maior parte de seu urânio enriquecido para fora do país, mas o acordo fracassou com a pressão política sobre o Irã.
Gibbs afirmou que o plano do Irã de continuar com o enriquecimento a 20 por cento viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e que a declaração divulgada por Teerã é vaga com relação à disposição do Irã de se encontrar com as grandes potências para falar sobre seu programa nuclear, como também foi aprovado em outubro.
Washington permanece comprometido com uma solução diplomática para a questão nuclear iraniana, afirmou ele, mas declarou que a Casa Branca acredita que avanços estão sendo feitos para uma resolução da ONU que imponha novas sanções ao Irã.
Apesar da pressão dos EUA para a imposição da quarta rodada de sanções da ONU, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, P.J. Crowley, afirmou que o país trabalhará com o Irã caso o governo de Mahmoud Ahmadinejad atenda às preocupações internacionais sobre seu programa nuclear. "Continuamos preparados para trabalhar com o Irã em qualquer lugar, a qualquer tempo, desde que o Irã esteja preparado para atender às preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear. É o Irã que fracassou em fazer isso nos últimos meses", disse.