Para facilitar o relacionamento com as instituições bancárias e democratizar informações que ajudem a garantir os direitos do cidadão fluminense, a Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI) criou a Cartilha de Procedimentos Bancários para a Pessoa Idosa. O documento, produzido em parceria com o Procon, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado, ajuda a evitar que idosos sejam vítimas de golpes.
– A cartilha foi lançada, em outubro deste ano, durante o projeto Uerj Sem Muros. Nosso objetivo é facilitar o cotidiano do idoso, que quer manter sua autonomia e suas atividades normalmente. Uma das dificuldades que ele enfrenta é o manuseio com operações financeiras. Os golpes nos bancos são mais freqüentes em pessoas idosas – declara a idealizadora do
documento e coordenadora de Projetos de Extensão da UnATI/Uerj, Sandra Rabello.
De acordo com a cartilha da instituição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), uma das queixas mais freqüentes é em relação a empréstimos bancários. Os consumidores devem estar atentos às normas estabelecidas pelo Banco Central: os descontos de créditos consignados não podem ultrapassar 30% do valor do salário e os servidores têm o direito de abatimento dos juros caso o empréstimo seja liquidado.
O caixa eletrônico é um dos serviços que deve ser utilizado com cautela. Ao efetuar saques, pagamento de contas, extratos e transferência, o correntista não deve solicitar ajuda de estranhos. Para evitar fraudes, o consumidor precisa colocar o corpo junto ao teclado para evitar que a combinação da senha seja vista por outra pessoa. Muitos estelionatários aproveitam momentos de distração para aplicar golpes como o “conto do cartão engolido”. O golpista instala um mecanismo capaz de engolir o cartão magnético no caixa eletrônico e observa a vítima digitar a senha. Quando a pessoa desiste e deixa o cartão, o ladrão o retira e saca o dinheiro.
– Na cartilha, o idoso recebe dicas para não perder informações bancárias no caixa eletrônico, que é muito ágil nas operações. Pessoas da terceira idade não têm esse time, porque sofrem com algumas perdas de ordens orgânicas e clínicas, como dificuldades de enxergar e manusear os teclados. Por isso, sempre que o consumidor sentir dificuldades no caixa deve procurar um funcionário credenciado pelo banco para orientá-lo. Os correntistas devem ir aos bancos munidos sempre de identidade, cartão e senha, se possível, guardada na cabeça – explica Sandra Rabello.
Além do conto do cartão engolido, os estelionatários aplicam os golpes do recadastramento bancário e da saidinha. A fraude do recadastramento acontece quando o consumidor digita os números de sua agência, conta e senha pelo telefone. O golpista, que finge ser funcionário do banco, consegue ter acessos às informações através de identificadores dos sinais sonoros dos números digitados. O golpe da saidinha é a mais comum das fraudes. Dentro da agência, um dos ladrões observa a vítima retirar o dinheiro e avisa ao seu cúmplice, que está do lado de fora do banco. Os estelionatários também aguardam o correntista sair da agência e o segue por alguns quilômetros para efetuar o roubo.
No documento da Universidade Aberta da Terceira Idade, é possível tirar dúvidas também sobre cheques. Guardar o talão em local seguro, não assinar folhas em branco, emitir cheques a empresas idôneas, nominar os cheques, riscar o trecho “ou a sua ordem” e fazer boletim de ocorrência quando os talões forem furtados, roubados ou extraviados impedem a ocorrência de fraudes.
Ao receber cédulas falsas em um caixa eletrônico ou terminal de auto-atendimento, o consumidor precisa procurar o gerente do banco e apresentar o extrato da conta para comprovar o saque. Caso a instituição não apresente solução, o cliente pode procurar uma delegacia de polícia. O banco é obrigado a ressarcir o usuário. As notas falsificadas não podem ser colocadas em circulação.
Na internet, os cuidados devem ser redobrados. O acesso ao banco deve ser realizado em computadores confiáveis e a senha deve ser trocada periodicamente. Os correntistas não devem responder e-mail ou clicar em link para acessar à página da agência bancária. As instituições não enviam mensagens para que o cliente atualize seu cadastro ou solicitam informações como número de agência, conta ou senha.
O consumidor deve recorrer ao Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (Procon/RJ), através do telefone 151, caso seja lesado por qualquer instituição bancária. A Subsecretaria da Casa Civil também oferece à população esclarecimento de dúvidas e orientações sobre casos específicos.
A Cartilha de Procedimentos Bancários para a Pessoa Idosa pode ser adquirida gratuitamente através do site www.unati.uerj.br. Mais informações pelos telefones (21) 2587-7121 e (21) 2587-7236.
Cartilha ajuda a proteger idosos de golpes em agências bancárias
Quarta, 10 de Dezembro de 2008 às 10:16, por: CdB