Os trabalhadores dos Correios promoveram um abraço simbólico ao edifício-sede da empresa no Paraná, localizado na rua João Negrão, em Curitiba.
Além da participação dos carteiros e operadores de triagem, em greve desde a última quarta-feira, o ato contou com a presença do chamado "carteirão", boneco gigante de um carteiro uniformizado, com cerca de três metros de altura.
Também houve a malhação simbólica de um outro boneco, com o rosto do diretor-adjunto dos Correios no Estado, Areovaldo Figueiredo.
Entidade que representa mais de 5,6 mil integrantes da categoria, o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom) vê truculência na forma como a direção estadual da empresa vem tratando o movimento de greve.
- A diretoria dos Correios no Paraná está usando o Exército, o Batalhão de Choque da PM e a Polícia Federal para ameaçar e intimidar os trabalhadores, o que é lamentável - explicou o secretário-geral do Sintcom e diretor da Fentect (Federação Nacional da categoria), Nilson Rodrigues dos Santos.
Os trabalhadores estão acampados em frente a cada um dos quatro portões da sede estadual dos Correios no Paraná desde a noite de terça-feira.
A 1h da madrugada desta sexta-feira, três viaturas da Polícia Federal avançaram sobre os trabalhadores, alguns deles dormiam.
De armas em punho, agentes da PF forçaram a entrada de dois caminhões dos Correios dentro do pátio da empresa. Apesar de rápida, a ação da PF foi registrada em fotos pelo sindicato.
No dia anterior, mais de 10 viaturas da tropa de Choque da PM e da PF tentaram dispersar a mobilização, mas a operação foi frustrada pela presença da imprensa no local.
Dezenas de soldados da tropa de Choque e agentes federais, armados com pistolas, espingardas e escopetas, ficaram frente à frente com os trabalhadores.
Depois dos £ltimos incidentes, o Sintcom passou a defender publicamente a saída imediata de toda a atual direção estadual dos Correios.
- Além de tratar a nossa greve como um caso de polícia, a diretoria da empresa está usando sua influência política para acionar equipes da Polícia Federal, inclusive de madrugada, o que é ilegal - denuniciou Santos.
A assessoria jurídica do Sintcom deve protocolar, na tarde desta sexta-feira, uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a direção estadual da empresa, por práticas anti-sindicais que contrariam a Lei de Greve.