Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2026

Carteiras de crédito do Banco Santos devem ir a leilão

Terça, 27 de Setembro de 2005 às 14:01, por: CdB

O administrador judicial da massa falida do Banco Santos, Vânio Aguiar, disse nesta terça-feira que o plano de recuperação de ativos da instituição prevê o leilão das carteiras de crédito.

- Estamos fazendo um plano e vamos submetê-lo à Justiça até o fim deste ano - disse ele em evento promovido pela Fitch Ratings. Segundo Aguiar, a carteira de crédito da pessoa física tem um valor de aproximadamente 5 milhões de reais distribuídos entre cerca de 15 mil clientes. A carteira de pessoa jurídica tem 750 clientes e é "pelo menos dez vezes maior".

O Banco Santos teve a falência decretada dia 20 pelo juiz Caio Marcelo, da 2a Vara de Recuperações e Falências de São Paulo. A instituição deixou um passivo descoberto de quase R$ 3 bilhões e, segundo Aguiar, 67% disso equivale a financiamentos feitos com reciprocidade.

Isso significa que quem recebia o empréstimo retornava parte dos recursos ao Banco Santos, comprando algum papel emitido pela instituição, como Certificados de Depósito Bancário (CDB). Conforme informações prestadas pelo Santos, a reciprocidade abrangia 10% da carteira.

- O iceberg era muito maior do que imaginávamos. A maioria dos tomadores não tinha condição de obter crédito em outro banco e não existe uma garantia real nessa carteira - disse Aguiar, que comandou a intervenção feita em 12 de novembro pelo Banco Central. 

Segundo Aguiar, na busca pela recuperação desses créditos, as contrapartes nessas operações também podem ter de responder à Justiça, assim como os administradores do banco.

Quanto às obras de arte que pertenciam a outra empresa do controlador do banco, Edemar Cid Ferreira, Aguiar disse que não há ligação direta, mas tentará se estabelecer um vínculo para que sejam incluídas no conjunto de ativos. O que está debaixo do banco, segundo ele, seria suficiente para arcar com apenas 10% do passivo.
 
- As obras podem fazer parte da massa falida e podem ser um grande ativo a fazer parte da recuperação. A maioria dos ativos está fora do banco - disse Aguiar, que pretende ir buscar esses recursos também através de rastreamento de contas e empresas estabelecidas fora do país. 

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