A poucos meses do lançamento dos serviços Global System for Mobile Communications (GSM) pela Oi, da Telemar, e pela TIM, os fabricantes dos cartões inteligentes que integram os aparelhos celulares acirram a disputa por um mercado que deve girar algo entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões no primeiro ano das operações, segundo estimativas dos fornecedores. Dois deles - Schlumberger e Gemplus - comemoram a assinatura dos primeiros contratos, respectivamente com a TIM e com a Oi, enquanto a Daruma Orga prossegue as negociações com as duas operadoras na expectativa de conquistar parte deste novo mercado. O celular GSM carrega o chamado SIM card, sigla para "subscriber identity module", ou módulo de identificação do usuário. É esse cartão que faz a interface do assinante com a operadora, diferentemente das atuais redes CDMA ou TDMA, nas quais a "inteligência" fica contida no próprio celular. Nas futuras redes GSM, ao trocar de aparelho, por exemplo, o usuário só precisa transferir o seu SIM card para o novo celular para garantir o armazenamento dos números de telefones que têm na memória. Além do mercado potencial constituído pelos futuros assinantes da TIM e da Oi, os fabricantes também vislumbram o mercado de manutenção dos SIM cards, uma vez que os cartões têm um tempo médio de vida em torno de dois anos. "O usuário troca de cartão de acordo com a evolução tecnológica da operadora, que vai aos poucos oferecendo novos aplicativos e serviços através da sua rede", explica o diretor comercial da Daruma Orga, Marcelo Bellini. Ele estima que o Brasil terá 15 milhões de usuários GSM nos próximos cinco anos. A Daruma Orga quer uma fatia de 20% a 25%. Para tal, já programa dobrar a capacidade produtiva da fábrica, localizada em Taubaté (interior de SP), até o final do ano. Segundo Bellini, a unidade produz hoje 1,5 milhão de cartões por mês, destinados aos setores bancário e de telecomunicações. "Exportamos SIM cards de GSM para países como Venezuela, Chile e Paraguai", diz. No Brasil, nenhum contrato foi ainda firmado, mas Bellini acredita que o mercado comporta mais de dois fornecedores. A Schlumberger fechou com a TIM e só aguarda o cronograma de entregas para dar início à fabricação, conta o gerente de vendas da companhia, Perky Ibarra. Segundo ele, a meta da Schlumberger é deter 50% do mercado brasileiro de SIM cards para GSM. A preparação para alcançar este objetivo começou com investimentos de US$ 5 milhões na fábrica de Curitiba, já adaptada à produção do novo cartão. O otimismo da Schlumberger também decorre do fato de que a TIM é o maior cliente mundial do grupo, presente em mais de 100 países. Na Gemplus a meta é repetir no Brasil a participação conquistada na América Latina, que é de 60%, afirma o diretor de telecomunicações, Mathias Bouzereau. Os primeiros SIM cards, a serem entregues à Oi a partir de fevereiro, já estão em produção na fábrica da companhia em Barueri, na Grande São Paulo. "É um contrato de alguns milhões de dólares", disse, sem revelar o valor, o executivo, que comanda a divisão recém-criada pela Gemplus, integrada por seis pessoas instaladas no Rio de Janeiro. "Queremos ficar perto de nossos clientes", disse Bouzereau. Na avaliação do diretor da Gemplus, o mercado brasileiro de SIM cards para GSM deve triplicar em 2003, comparado ao primeiro ano das operações. Para se preparar para este crescimento, a companhia deve aportar US$ 1 milhão na fábrica nos próximos 12 meses, destinados à compra de máquinas e expansão das linhas de produção.
Cartão inteligente de celular desperta mercado de US$ 5 milhões
Segunda, 28 de Janeiro de 2002 às 21:02, por: CdB