Bispo diocesano de Barra, no sertão baiano, Dom Frei Luiz Flávio Cappio encerrou nesta quinta-feira sua greve de fome contra o projeto a transposição do Rio São Francisco, depois que um enviado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu abrir novas discussões sobre o plano.
- Fica suspenso meu jejum, em favor da vida - disse dom Cappio diante da pequena capela às margens do rio São Francisco, onde manteve sua greve de fome nos últimos 11 dias. O bispo havia prometido manter seu protesto até a morte, a menos que o governo cancelasse o projeto de R$ 4,5 bilhões para desviar parte da água do São Francisco por meio de uma rede da canais.
O bispo sustenta que o projeto provocará danos ao meio ambiente e que vai beneficiar os grandes proprietários de terra em detrimento da população pobre. O bispo, no entanto, acabou mudando de posição depois de cinco horas de conversações com o ministro das Relações Institucionais, Jacques Wagner, e com o núncio apostólico do Vaticano no Brasil, Lorenzo Baldisseri.
Dom Cappio disse que sua decisão foi baseada em um compromisso assumido pelo governo de dar início a um diálogo com partidos que fazem críticas ao projeto com o intuito de encontrar alternativas antes de dar início aos trabalhos. Segundo o religioso, o governo também se comprometeu em tentar aprovar no Congresso um projeto que prevê a destinação de 300 milhões de reais pelos próximos 20 anos para revitalizar o São Francisco e proteger o meio ambiente na região.