Quatro carros-bomba sacudiram Bagdá no amanhecer de quinta-feira, matando pelo menos 17 pessoas e ferindo dezenas, na segunda onda de ataques em poucas horas, segundo a polícia.
Na noite de quarta-feira, três carros-bomba da Al Qaeda explodiram em Shola, um bairro de população majoritariamente xiita, matando 18 pessoas. Os ataques ocorreram logo após reuniões em Bruxelas entre o novo governo, dominado pelos xiitas, os EUA, que lhe dão apoio, e outras potências estrangeiras.
A polícia disse que um carro-bomba guiado por um militante suicida matou três policiais e sete civis ao ser lançado contra uma patrulha na área comercial de Karrada, no centro da capital, por volta de 7h (0h em Brasília). Outro ataque similar matou sete civis, de acordo com as autoridades.
Dois outros carros-bomba explodiram na mesma área, com minutos de intervalo. Um deles estava perto de uma mesquita xiita. Fontes médicas e policiais dizem que há entre 23 e 50 feridos.
Os insurgentes já mataram cerca de 1.200 pessoas, inclusive mais de 120 soldados norte-americanos, desde a formação do novo governo liderado pelos xiitas, há dois meses. A maior parte dos rebeldes são da minoria árabe sunita, privilegiada sob o deposto regime de Saddam Hussein.
Chamas e rolos de fumaça escureceram a manhã de Bagdá. Um ônibus carbonizado e com manchas de sangue estava em frente à agência de correios de Karrada. Vitrines e barracas de frutas foram destruídas, e as árvores foram arrancadas e queimadas.
Comandantes norte-americanos e iraquianos haviam dito recentemente que um mês de ações especiais contra fábricas de bombas e outras bases dos insurgentes em Bagdá deram resultado, mas não impediriam todos os ataques. Os recentes episódios mostram que eles tinham razão.
Os atentados em Shola provocaram danos generalizados e vítimas na rua principal do bairro, segundo a polícia. Um jornalista da Reuters viu um prédio incendiado e vários carros destruídos perto de um restaurante da região.
O grupo do jordaniano Abu Musab Al Zarqawi, o "representante" da Al Qaeda no Iraque, divulgou pela Internet uma nota falando em "represália sunita" e um filme mostrando fogo em pelo menos três lugares e o ruído de explosões e disparos. Não é possível determinar onde ou quando as imagens foram gravadas.
Militares dos EUA disseram ter invadido e destruído uma casa de Bagdá usada por seguidores de Zarqawi. Os moradores do bairro de Jamiaa, na zona oeste, ouviram um violento tiroteio no local durante a noite e disseram que a casa foi queimada.
NEGOCIAR COM NACIONALISTAS
Em Bruxelas, Estados Unidos, União Européia e outras potências deram aval na quarta-feira ao objetivo do governo iraniano de atrair a minoria árabe sunita para o processo político. Sentindo-se alienados, muitos sunitas não votaram nas eleições de janeiro.
O ministro iraquiano da Segurança disse estar em contato, por meio de intermediários, com rebeldes nacionalistas antiamericanos. Seu objetivo é atraí-los para negociações e romper seus laços com os insurgentes islâmicos que fazem a "guerra santa" ou com seguidores do antigo regime que querem a volta de Saddam.
- Há nacionalistas dentro da insurgência que são contra a ocupação norte-americana. Nós estamos pedindo a eles que mostrem sua cara e venham para a mesa - disse Abdul Karim Al Enzi à Reuters.
Em Washington, foi divulgado um relatório da CIA dizendo que a insurgência iraquiana pode estar treinando guerrilheiros que representariam para os EUA uma ameaça maior que a de Osama bin Laden, cujos militantes aprenderam suas técnicas no combate às tropas soviéticas no Afeganistão.
Tropas japonesas, cuja perigosa missão de reconstrução civil provocou controvérsias no Japão, foram atacadas pela primeira vez fora de sua base no Iraque. Uma bomba em um acostamento danificou o pára-brisa de um veículo.
O incidente, embora de menor importância, levou o po