Ataques com carros-bomba mataram mais de 110 pessoas, inclusive 25 crianças, numa onda de violência que toma conta do Iraque a poucos dias do referendo sobre a Constituição.
Uma das explosões aconteceu nesta sexta-feira em um mercado lotado na cidade de Hilla, sul do país, matando pelo menos 12 pessoas e ferindo 47, segundo a polícia e os hospitais.
Na localidade xiita de Balad, ao norte de Bagdá, o número de mortos pela explosão de três carros-bomba na quinta-feira subiu na sexta para 98, de acordo com Kassim Aboud, diretor do hospital local.
Furiosos, moradores de Balad atribuíram os ataques a "combatentes estrangeiros", também acusados pelos Estados Unidos de se infiltrarem a partir da Síria para cometerem ataques em todo o Iraque.
- O que esses jordanianos, palestinos e sauditas têm a ver conosco? Que vergonha!.. "Por que isso está acontecendo? Esse é um ato criminoso, e a Constituição vai dar certo apesar deles - gritava Abu Waleed, dono de um hotel em Balad, que disse ter tido sete hóspedes mortos.
Em frente a um hospital, o médico Dawoud Allam colocava listas dos mortos e dos 119 feridos em uma parede. Entre os mortos, 25 tinham menos de 15 anos. Outras 14 vítimas não puderam ser identificadas, segundo ele.
Multidões saíram às ruas desafiando os militantes.
-Com nossa alma, com nosso sangue, nos sacrificaremos pela Constituição - gritavam.
Com suas ações, os insurgentes, em sua maioria sunitas, tentam derrubar o governo, apoiado pelos EUA, e impedir a aprovação popular da Constituição.
Abu Musab al-Zarqawi, o "representante" da Al Qaeda no Iraque, assumiu a responsabilidade pela onda de explosões.
Cinco soldados norte-americanos também morreram em um dos piores ataques contra as forças dos EUA em várias semanas. O incidente ocorreu perto de Ramadi, reduto da insurgência a oeste de Bagdá, segundo informação divulgada na quinta-feira pelo Exército dos EUA.
Com os novos ataques, o número de militares norte-americanos mortos no Iraque desde a invasão, em março de 2003, subiu para pelo menos 1.929. Houve também mais de 13 mil feridos.
Em Washington, o comandante das forças norte-americanas no Iraque, general George Casey, disse ao Senado que será impossível reduzir o número de soldados em 2006 caso a violência continue após o referendo e a eleição prevista para dezembro. Ele acrescentou que atualmente só há um batalhão iraquiano preparado para agir sem apoio dos EUA.
Os Estados Unidos mantêm 149 mil soldados no Iraque. Outros países colaboram com cerca de 20 mil, metade deles britânicos.
O Pentágono pretende começar a retirar o contingente quando as forças iraquianas, hoje com cerca de 190 mil homens, estiverem preparadas para agirem por conta própria contra a insurgência.