Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Carro-bomba explode perto de base aérea da Otan em Cabul

Um homem-bomba explodiu seu veículo nesta terça-feira em frente à base aérea da Organização do Tratado do Atlântico (Otan) no principal aeroporto de Cabul, matando pelo menos três civis, no maior ataque na capital afegã desde a eleição presidencial de 20 de julho. (Leia mais)

Terça, 08 de Setembro de 2009 às 06:20, por: CdB

Um homem-bomba explodiu seu veículo nesta terça-feira em frente à base aérea da Organização do Tratado do Atlântico (Otan) no principal aeroporto de Cabul,  matando pelo menos três civis, no maior ataque na capital afegã desde a eleição presidencial de 20 de julho.

O ataque foi mais uma demonstração de como a segurança tem piorado em meio ao impasse pós-eleitoral e à rápida queda do apoio ao conflito entre a opinião pública ocidental.

O policial Abdul Ghafar Sayedzada disse que três civis morreram e seis ficaram feridos no atentado. A capitã Elizabeth Mathias, assessora de imprensa da força da Otan no Afeganistão, disse que quatro militares ficaram levemente feridos.

Um comerciante que testemunhou a explosão afirmou que o homem-bomba detonou seus explosivos perto de uma das entradas, no lado militar do aeroporto.

– Um homem-bomba num carro Surf (veículo off-road) se explodiu perto do portão (vigiado por) guardas nepaleses – disse o comerciante, que se identificou como Izmarai.

– Outro homem estava andando de bicicleta e caiu no chão. A polícia retirou outro ferido –, acrescentou.

Enormes chamas subiam no local da explosão, e sirenes eram ouvidas num raio de vários quilômetros. O aeroporto de uso civil e militar já sofreu vários ataques com foguetes e um atentado suicida do Taliban no passado.

Um porta-voz do grupo islâmico disse por telefone, de local não revelado, que os militantes visavam alvos ocidentais. Há menos de um mês, um atentado do Taliban junto à sede da Otan em Cabul matou pelo menos sete pessoas e feriu cem.

O aumento da violência no Afeganistão abala o apoio popular à guerra nos EUA, que tem cerca de 65 mil soldados no país – de um total de 103 mil estrangeiros.

A guerra também gera polêmica na Alemanha, a poucas semanas de uma eleição geral do país, depois que tropas alemãs solicitaram um bombardeio norte-americano no Afeganistão, na semana passada, que matou muitos civis.

O presidente Hamid Karzai qualificou como "erro de julgamento" aquele ataque a caminhões-tanque que haviam sido roubados.

A Otan disse estar investigando o incidente, e nesta terça-feira a força internacional admitiu em nota pela primeira vez que civis morreram no bombardeio, na sexta-feira.

O secretário alemão de Defesa, Franz Josef Jung, resistiu à pressão por sua renúncia devido ao incidente – o mais letal envolvendo tropas alemãs desde a Segunda Guerra Mundial.

Jung afirmou que o ataque era necessário, e que as informações em seu poder indicavam que apenas combatentes do Taliban haviam sido mortos.

A chanceler Angela Merkel deve comparecer ainda nesta terça-feira ao Parlamento para explicar a estratégia do seu governo.

O comandante das forças estrangeiras no Afeganistão, o general norte-americano Stanley McChrystal, que assumiu o cargo há três meses prometendo proteger os civis, foi à TV assegurar à população local que está investigando o caso.

No campo político, as autoridades eleitorais devem anunciar nesta terça-feira resultados mais completos da votação de 20 de agosto. Com 74% das seções apuradas, Karzai estava ligeiramente aquém dos 50% cento de votos necessários para evitar um segundo turno.

Tags:
Edições digital e impressa