Carrefour aprova fusão com Pão de Açúcar, mas Casino ainda quer impedir o casamento
Em comunicado divulgado na manhã desta segunda-feira, o Conselho de Administração do grupo francês Carrefour informou ser favorável ao plano de fusão com o grupo brasileiro Pão de Açúcar, apesar das disputas comerciais indiretas com o concorrente Casino.
Em comunicado divulgado na manhã desta segunda-feira, o Conselho de Administração do grupo francês Carrefour informou ser favorável ao plano de fusão com o grupo brasileiro Pão de Açúcar, apesar das disputas comerciais indiretas com o concorrente Casino. O projeto, rejeitado com veemência pelo sócio do Pão de Açúçar, prevê a fusão dos ativos brasileiros do Carrefour com os da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD). A empresa resultante da junção, intitulada NPA (Novo Pão de Açúcar), deverá responder por 27% do mercado varejista formal no país ou 16% do total, incluindo na conta também os informais, segundo Claudio Galeazzi, sócio do banco BTG Pactual, que deve capitanear a operação por meio do fundo de investimento Gama.
"Esta transação, se completada, vai levar à criação de uma grande empresa de varejo no Brasil, o terceiro maior mercado do mundo em termos de gasto com alimentos", informou o Carrefour, em nota.
Caso a fusão seja aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a nova empresa integrará o Pão de Açúcar com o grupo francês Carrefour, na base de 50%-50%. O NPA, por sua vez, terá 100% da filial brasileira do grupo Carrefour. Também por meio dessa reestruturação societária, o NPA terá 11,7% do grupo Carrefour no mundo, o segundo maior varejista global, tornando-se assim seu maior acionista, segundo Souza.
A proposta ainda prevê uma injeção maciça de capital na nova companhia. A Gama tende a aportar 2,5 bilhões de euros (R$ 5,7 bilhões), sendo 1,7 bilhão de euros (R$ 3,86 bilhões) do BNDESPar (braço investidor do BNDES) e mais 800 milhões de euros (R$ 1,82 bilhão) de sua controladora. O empresário Abilio Diniz, presidente do conselho do Pão de Açúcar, terá 17% do NPA. Já o Casino, que se manifestou contra a fusão, teria 29%. O grupo francês, vale lembrar, ampliou sua fatia na varejista brasileira neste mês para 37%, ao mesmo tempo em que questionava a lisura ética da operação.
Conversa franca
Apesar da aprovação do conselho do Carrefour, o plano de fusão de suas operações no Brasil com o Pão de Açúcar ainda parecia instável nesta segunda-feira, com a disposição de a varejista rival Casino, sócia do grupo brasileiro, impedir o financiamento do projeto empresarial. Uma fonte próxima ao assunto afirmou à agência inglesa de notícias Reuters que o presidente-executivo do Casino, Jean-Charles Naouri, estava a caminho do Brasil para uma "conversa franca" com o BNDES. O banco estatal demonstrou sua intenção de não investir os US$ 2,4 bilhões previstos na união se o Casino não aprovar a operação proposta.
O Carrefour, enfraquecido por três alertas de lucro, precisa crescer rapidamente em mercados emergentes como o Brasil para compensar vendas fracas em seu mercado doméstico. O acordo criaria uma varejista com vendas de mais de 30 bilhões de euros (US$ 43,6 bilhões) e levaria a sinergias anuais estimadas entre 600 milhões e 800 milhões de euros, afirmou a rede francesa. Já o Casino, sócio do empresário Abilio Diniz no controle do Pão de Açúcar, perderia uma importante fonte de crescimento e acabaria com uma fatia minoritária na nova companhia.
A fonte disse que Naouri deve se encontrar com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ainda esta semana, mas o Casino preferiu não comentar o assunto. O sócio francês de Abílio Diniz afirmou, em comunicado, que o apoio do Carrefour à fusão pode implicar em responsabilização da rede "e dos membros do seu conselho por aceitarem, apesar de repetidos alertas, uma transação hostil, resultado de negociações ilegais".
Em série de entrevistas concedidas no Brasil na semana passada, Diniz afirma que não violou o acordo de acionistas que mantém com o Casino por meio da holding Wilkes e que chegou a informar o presidente do Casino sobre a ideia de fusão com o Carrefour.
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