A Vila Isabel desbancou as favoritas e, depois de 17 anos, volta a ser campeã do carnaval do Rio. A vitória só saiu no último quesito. Vila Isabel e Grande Rio ficaram empatadas em 397,6, mas a escola da Vila consagrou-se campeã por ter tirado as maiores notas no quesito samba-enredo. Em terceiro lugar ficou Viradouro, seguida pela Mangueira e Beija-Flor. A Unidos da Tijuca ficou só em sexto lugar e saiu do sambódromo em clima de revolta. As duas últimas colocadas foram Rocinha e Caprichosos de Pilares, que serão rebaixadas para o Grupo de Acesso.
A escola da terra de Noel Rosa, no entanto, só levou o título porque a Grande Rio perdeu 0,2 pontos por ter estourado em um minuto o tempo regulamentar do desfile. Ainda assim, é melhor colocação da história da escola da Baixada Fluminense.
A Vila Isabel levou para a avenida o enredo "Soy loco por ti America- A Vila canta a latinidade". O samba-enredo desbancou o composto por Martinho da Vila e causou mal estar na escola - Martinho recusou desfilar - mas foi um dos que mais animaram o público na Sapucaí.
Com o contagiante refrão (Para bailar "La Bamba", cair no samba Latino-americano som), o samba-enredo da Vila Isabel foi um dos que mais fizeram as arquibancadas cantarem e, curiosamente, foi o que determinou o título. Até então o único título da Vila tinha sido o de 1988, com o enredo "Kizomba, festa da raça".
Com suas bananas, pirâmides astecas, lhamas e heróis latino-americanos gigantes, a Vila narrou a trajetória da América Latina, desde a conquista dos Maias e Astecas até a atualidade, e fez uma homenagem à miscigenação. Os ritmos caribenhos como a rumba, a salsa e o merengue também macaram presença no enredo do carnavaleco Alexandre Louzada.
A alegoria com um Simon Bolívar gigante foi o grande destaque. As arquibancadas foram ao delírio, quando para passar pela torre de TV da avenida, o boneco se abaixou, para, em seguida, se levantar de novo.
O carnavalesco Joãozinho Trinta, consultor da escola, veio à frente da escola, numa cadeira de rodas motorizada, e foi ovacionado pela platéia.
A empresa PDVSA, estatal petrolífera da Venezuela, financiou o carnaval da Vila Isabel com uma doação de R$ 900 mil. Havia rumores de que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, viria assistir o desfile, o que não se confirmou.
A bateria de mestre Mug esteve perfeita e ainda apresentou uma paradinha que imitou um ritmo latino. Em termos de fantasia, a Vila deu um banho. As roupas explicavam o enredo e ainda eram luxuosas e extremamente bem confeccionadas.
As seis primeiras colocadas voltam a desfilar no próximo sábado.
Tijuca vaia jurados
A Unidos da Tijuca saiu da apuração em clima de revolta e vaiando os jurados. Depois de liderar boa parte da apuração, a escola que era tida como a grande favorita, acabou ficando em apenas sexto lugar. No quesito alegorias e adereços, tidos como o ponto alto e o maior diferencial da escola, a Tijuca recebeu um único 10. Os outros três jurados deram notas 9,8; 9,8 e 9,7.
A nota que causou maior indignação, no entanto, foi 9,3 em fantasia. O mesmo jurado deu nota 10 para a Porto da Pedra e 9,6 para a Portela. Os outros três jurados do quesito deram nota 10 para a Tijuca. A escola do Borel recebeu ainda duas notas 9,5 (uma em harmonia e outra em enredo) e um 9,7 em bateria.
Rocinha e Caprichosos caem
Apesar do problema que teve com um de seus carros, a Porto da Pedra não sofreu nenhuma penalidade e ainda conseguiu escapar do rebaixamento. A Rocinha, além de ser rebaixada, também foi multada em R$ 45 mil pela Liesa por estourado o tempo limite para a retirada dos carros da dispersão.
Quem também descerá para o Grupo de Acesso é a Caprichosos de Pilares. O enredo patrocinado da Caprichosos de Pilares, sobre o Espírito Santo, revelou-se um fiasco. Além de perder um lugar entre as grandes, a escola também per