Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Carlos Mesa assina decreto contra protetos

Sexta, 03 de Junho de 2005 às 04:47, por: CdB

O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, assinou na quinta-feira um decreto que tem por objetivo pôr fim a duas semanas de violentas manifestações e reduzir a divisão entre ricos e pobres no debate sobre os recursos energéticos.

Os bolivianos irão às urnas em 16 de outubro para eleger os membros de uma assembléia que reformará a Constituição, com a intenção de redistribuir o poder em favor da empobrecida maioria indígena, disse Mesa.

Nesse mesmo dia, acrescentou ele, haverá um referendo sobre o apelo das ricas províncias do leste -- onde estão as maiores reservas de petróleo e gás do país - por mais autonomia.
Mesa anunciou o decreto depois que o fragmentado Congresso fracassou, pelo terceiro dia consecutivo, na busca por um consenso. Enquanto isso, os protestos indígenas se intensificaram nas ruas de La Paz e paralisaram a cidade.

- Exorto este país a regressar à calma - disse Mesa em uma surpreendente mensagem pela TV, 19 meses depois de uma sangrenta revolta que provocou a queda de seu antecessor.

O presidente, um político independente com escasso apoio no Congresso, assumiu o governo prometendo cicatrizar as feridas sociais do país mais pobre da América do Sul e da sua população indígena, de 8,3 milhões de pessoas.

Após uma breve lua-de-mel, Mesa foi incapaz de lidar com a crescente militância política dos grupos indígenas, tanto nas ruas quanto no Congresso.
Ele disse que a Constituinte será o fórum "perfeito" para uma nova avaliação da lei dos hidrocarbonetos, aprovada há duas semanas.

As manifestações com dezenas de milhares de pessoas nas últimas duas semanas se concentram nas exigências de nacionalização da enorme reserva de gás natural da Bolívia, a segunda maior da América Latina.

Os líderes indígenas se opõem com firmeza ao pedido de autonomia das províncias onde estão as maiores jazidas e interpretam isso como uma tentativa da elite para ficar com o gás.
Mas essa elite branca da província de Santa Cruz, responsável por 40 por cento da economia da Bolívia, fixou unilateralmente para agosto um referendo sobre sua autonomia, ampliando a pressão contra Mesa e contra o Congresso.

O presidente também pediu à Igreja que apóie um "encontro nacional" de políticos e líderes sociais para tentar solucionar suas diferenças.

Diferentemente de seu antecessor, Gonzalo Sánchez de Lozada, Mesa conseguiu superar estas duas semanas de protestos sem que tenham ocorrido mortes ou ferimentos graves nas ruas.
Mas a violência está aumentando nos últimos dias, com os manifestantes, cada vez mais radicalizados, atacando policiais que protegem o Congresso, lojas, motoristas e cidadãos em geral.

Na sexta-feira entra em seu segundo dia uma greve dos transportes, e deve haver novos protestos em La Paz. Na véspera, a greve e o bloqueio de estradas e ruas praticamente parou a capital.

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