A animação do público é percebida nas 'olas' da multidão, enquanto espera a atração principal, o fundo musical pilotado pelo DJ Johny Blaze traz o melhor da soul music e do hip hop, a platéia, predominantemente jovem e de diferentes raças, grita slogans de forma incessante. Muitos dos presentes na noite desta segunda-feira ao ginásio esportivo da Universidade de Maryland nem sequer poderão votar na primária do dia seguinte, naquele a quem vieram assistir, o senador Barack Obama, mas compareceram, do mesmo jeito, porque querem ver ''a história acontecer'', como me conta Tyerra Cole, de 12 anos.
Sua prima, Alicia Cole, com 30 anos a mais, também é uma entusiasta de Obama:
- Ele me inspirou. Eu não era ligada em política, nem era uma eleitora registrada, mas ele me fez ficar interessada, fui me registrar e procurei aprender mais sobre política.
Assim que Obama sobe ao palco, fica claro o quão forte é a empatia entre ele e aquele que tem sido seu público cativo, os jovens. O senador interrompe um trecho de seu discurso para saudar as atletas da equipe feminina de basquete da universidade, que podem se sagrar campeãs nacionais.
- 'Sabe, se eu tivesse trazido meus tênis, eu me arrumava e ia jogar um pouquinho com vocês, eu ainda tenho jogo, tenho mesmo! - brincou.
Juventude
As passagens mais ''sérias'' do pronunciamento de Obama também encontram eco entre os jovens da platéia, especialmente quando o próprio candidato, de 46 anos, destaca a sua juventude.
- Muitos me perguntam, 'mas por que você está concorrendo tão cedo? Você ainda é jovem, ainda pode esperar' - diz Obama.
Em seguida, acrescenta que concorrendo movido por aquilo que Martin Luther King chamou de ''a feroz urgência do agora''.
- Não podemos esperar parados pelo aquecimento global, não podemos esperar para consertar o sistema de saúde dos Estados Unidos e para trazer a guerra do Iraque ao fim - afirma, recebendo fortes aplausos da platéia.
Um dos trunfos de Obama entre os votantes mais jovens tem sido justamente a sua oposição à guerra do Iraque desde o princípio. Posição que ele tem procurado destacar como estando em contraste com a de sua rival, Hillary Clinton, que votou a favor da guerra, mas hoje se opõe ao conflito. Hillary é também citada no pronunciamento do senador, mas as fortes críticas de algumas semanas atrás foram deixadas de lado em prol de farpas e indiretas, como ao insinuar que ele é mais capaz de derrotar o provável candidato republicano, o senador John McCain.
- A última coisa de que precisamos é do mesmo velho elenco, apresentando os mesmos velhos argumentos de sempre e esperando ter um resultado diferente nas urnas - afirmou.
O senador lembra que Hillary vem repetindo que é mais capaz de derrotar McCain, porque tem mais experiência e é mais ''durona''.
- Bem, eu posso ser magrinho, mas sou durão também - afirma, em meio às palmas do público.