Cardeais da Igreja Católica deram início a seu confinamento neste domingo antes do conclave para eleger um novo pontífice, mas ainda não há um favorito para suceder João Paulo 2o.
Os 115 cardeais que podem votar ficarão em uma residência especialmente construída no Vaticano. Eles jantarão juntos neste domingo antes do começo do conclave secreto na Capela Sistina na tarde de segunda-feira (horário local).
Antes de se desligarem do mundo exterior, alguns dos "príncipes da Igreja" de chapéu vermelho fizeram missas públicas em Roma, sob a chuva deste domingo, em que enfatizaram a natureza espiritual de sua busca.
"As pessoas acham que vamos votar como se fosse uma eleição. Mas isso é algo completamente diferente. Vamos ouvir a Deus e ouvir o Espírito Santo", disse o cardeal Andres Rodriguez Maradiaga, de Honduras, disse na homilia.
Nenhum dos cardeais quis falar sobre quem poderá assumir o comando da Igreja de 1,1 bilhão de membros.
"Nós não sabemos (quem será o papa). Ninguém pode dizer neste momento", disse o cardeal mexicano Norberto Rivera Carrera. "Acredito que o Espírito Santo já saiba, mas ainda não nos contou."
A especulação da mídia concentrou-se no aliado mais próximo de João Paulo, o cardeal ideólogo Joseph Ratzinger, sugerindo que o prelado alemão pode liderar a votação inicial. Ratzinger também lidera os sites de apostas.
Mas muitos analistas do Vaticano duvidam que uma figura como ele, que com dogmas conservadores polarizou o mundo católico romano, terá os dois terços dos votos necessários para tornar-se o 264o. sucessor do primeiro papa, São Pedro.
Isso deixa o caminho aberto para um candidato que possa reunir as facções que surgiram na maior organização religiosa do mundo durante os 26 anos de pontificado de João Paulo.
Os cardeais farão quatro votações por dia até chegarem a uma maioria necessária.
Dos oito conclaves do século 20, nenhum durou mais de cinco dias, e dois deles terminaram no segundo dia. O desconhecido Karol Woytyla, da Polônia, foi escolhido em 1978 após oito votações, em três dias.
Entre os candidatos potenciais citados pela mídia estão os italianos Dionigi Tettamanzi e Angelo Scola, o brasileiro Claudio Hummes, o nigeriano Francis Arinze e o hondurenho Maradiaga.
Entre os principais temas que a Igreja enfrenta estão a crescente pobreza espiritual da Europa, a pobreza material no terceiro mundo e a centralização da burocracia do Vaticano.
Críticos de João Paulo disseram que ele concentrou muito poder nas mãos do Vaticano e esvaziou o debate ideológico.
Os cardeais fizeram um voto de silêncio antes do conclave, acrescentando tensão à incerteza e à intriga dentro da hierarquia católica masculina.
Não haverá encontro com a imprensa depois das votações nem promoção de candidatos, apenas uma fumaça na chaminé da capela Sistina -- preta para votação sem maioria, e branca quando o novo papa for escolhido.
Em preparação para uma eventual decisão, funcionários do Vaticano colocaram cortinas vermelhas na varanda de São Pedro, onde o novo papa aparecerá para o mundo.